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PF termina busca na casa de Blairo Maggi e sai com malote e computador

Blairo Maggi (PP), ministro da Agricultura - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Blairo Maggi (PP), ministro da Agricultura Imagem: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dida Sampaio e Fabio Serapião

Em Brasília

14/09/2017 09h41Atualizada em 14/09/2017 11h55

Três agentes da Polícia Federal deixaram pouco antes das 9h30 desta quinta-feira (14) o apartamento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), em Brasília carregando um malote e um computador. Não há informação se durante a ação o ministro estava na residência, localizada na Asa Sul, área central da capital federal.

A busca e apreensão de documentos e objetos no local ocorreu nesta manhã no âmbito da Operação Malebolge, 12ª fase da Ararath, que investiga esquema de corrupção em Mato Grosso. Maggi é citado na delação premiada do ex-governador do Estado Silval Barbosa (PMDB).

Em nota, Maggi negou ter feito ou autorizado pagamentos ao ex-secretário de Mato Grosso Eder Moraes para acobertar atos e chamou Silval de mentiroso. “Ratifico ainda que não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato, conforme aponta de forma mentirosa o ex-governador Silval Barbosa em sua delação”, afirma no texto.

Ao todo, os agentes cumprem mandados em 64 endereços, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis, Primavera do Leste, Araputanga, Pontes e Lacerda, Tangará da Serra, Juara, Sorriso e Sinop, todas em Mato Grosso, além de Brasília e São Paulo.

Segundo a PGR, ainda foi autorizado pelo STF o afastamento cautelar de cinco conselheiros do TCE-MT: José Carlos Novelli, Waldir Júlio Teis, Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto, Walter Albano da Silva e Sérgio Ricardo de Almeida.

O inquérito judicial investiga prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, crimes contra a ordem tributária.

“[A PGR] Apura ainda a prática de obstrução de investigação criminal, que consistiu em pagar colaborador para mudar versão de depoimentos e pagar investigado para não celebrar acordo de colaboração”, diz o órgão em nota.

Na delação, Silval Barbosa confessou ter intermediado repasse de R$ 4 milhões, a pedido de Blairo e do ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes ao deputado federal Carlos Bezerra, em 2008, com o fim de comprar apoio do PMDB nas eleições municipais. À época, segundo Barbosa, o partido teria declarado apoio ao adversário do aliado de Blairo.

O delator narrou que o então Secretário de Fazenda de Mato Grosso Eder Moraes foi designado a conseguir os valores para pagar Bezerra e que apresentou ao chefe da pasta o operador financeiro Júnior Mendonça, que teria conseguido R$ 3,3 milhões - "parte em cheque, parte em dinheiro".

Quando pediu a abertura de inquérito, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura "a função de liderança mais proeminente na organização criminosa" delatada por Silval Barbosa.

A delação de Silval foi gravada em áudio e vídeo pela Procuradoria-Geral da República. O delator entregou aos investigadores vídeos da farra da propina em Cuiabá. As imagens mostram políticos retirando mesadas milionárias das mãos de Silvio Cesar, ex-chefe de gabinete de Silval no Palácio Paiaguás.

O ex-governador afirma que o dinheiro que aparece nos vídeos era propina. Ele funcionaria como uma espécie de mesada para que os políticos apoiassem o governo, segundo afirmou como parte de sua delação premiada.

Ao menos nove políticos aparecem nas imagens, entre eles o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP), o prefeito de Cuiabá, Emmanuel Pinheiro (PMDB), a prefeita de Juara, Luciane Bezerra, os ex-deputados estaduais Alexandre César (PT), Antônio Azambuja e Hermínio Barreto (PR), entre outros.

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