'Ninguém deve favor quando chega a um cargo desse', diz Barroso sobre Raquel

Rafael Moraes Moura, Carla Araújo e Beatriz Bulla

Brasília

  • Foto: Nelson Jr./ SCO/ STF

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta segunda-feira, 18, que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deverá seguir "a melhor tradição do Ministério Público", sem dever favores a ninguém.

Raquel foi escolhida pelo presidente Michel Temer para suceder o ex-procurador-geral Rodrigo Janot no comando da Procuradoria-Geral da República (PGR), quebrando uma tradição iniciada em 2003 de se dar preferência ao primeiro de uma lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Ela ficou em segundo lugar, com 587 votos, atrás do subprocurador Nicolao Dino, aliado de Janot, que encabeçou a lista com 621 votos. Dino pediu a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste ano.

"Eu acho que a dra. Raquel tem uma história de vida e as pessoas, quando chegam a essas posições, elas vivem para a sua própria biografia. Elas não vivem para prestar favores. Acho que quem é alçado para um cargo desse, é claro que pode ter reconhecimento para autoridade que a nomeou, mas o compromisso é com o País e não com a autoridade", afirmou Barroso.

"Essa coisa patrimonialista, de ficar devendo favor, não existe dentro de uma democracia, dentro de um espaço público. A gente faz o que tem de fazer. Há uma passagem do Tolstoi (escritor russo Liev Tolstoi) que ele diz, dos generais dele, que ele diz, não importa como você chega aqui, o importante é o que você vai fazer daqui pra frente. Portanto, eu acho, que ela seguirá a melhor tradição do Ministério Público e ninguém deve favor quando chega num cargo desse", completou o ministro.

Afastamento

Na semana passada, o STF rejeitou, por 9 a 0, um pedido da defesa de Temer para afastar Janot das investigações contra o presidente no caso JBS. Na próxima quarta-feira, 20, o plenário da Corte vai decidir se suspende ou não o envio à Câmara dos Deputados da segunda denúncia apresentada contra o presidente.

O Planalto quer que a nova acusação formal - pelos crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça - seja suspensa até que se esclareçam os indícios de irregularidade envolvendo a delação do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud.

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