Mães fazem ronda em porta de escola em Sorocaba (SP)

José Maria Tomazela

Sorocaba

Toda manhã de dia letivo, a dona de casa Cinthia Vaturro deixa o filho em uma escola de educação infantil no centro de Sorocaba, no interior paulista, mas não retorna logo para casa. Durante quase uma hora, ela fica nos arredores da escola, observando as crianças no playground e de olho em quem está perto. Ela só deixa o posto após a chegada de outras mães, que assumem a vigilância.

Cinthia faz parte de um grupo de pais que assumiu a vigilância informal de escolas municipais após uma sequência de furtos e roubos. "O muro é baixo e pulam com facilidade. Em um assalto, arrombaram a porta e entraram em todas as salas, roubando TVs. Outro foi de dia, com crianças na escola. Roubaram a bolsa com o dinheiro da contribuição dos pais", contou.

O grupo se fala pelo aplicativo WhatsApp. A escola, com 250 alunos de até 5 anos, fica perto de um viaduto e as mães usam a passagem de pedestre como posto de observação.

"Do alto, dá para observar o movimento e, se vemos algo suspeito, ligamos na hora para a Polícia Militar", diz Juliana Machado, outra mãe do grupo. Segundo ela, desde que a ronda começou em julho, a PM foi acionada ao menos duas vezes. "Propusemos nos cotizar para instalar concertina (cerca farpada) no muro e câmeras, mas foi dito que não por ser prédio público."

O advogado Bruno Lopes, pai de um aluno de 3 anos, disse que o grupo quer mobilizar a Promotoria. "Depois que nossa iniciativa foi divulgada, a prefeitura passou a manter um guarda na escola e prometeu melhorar a segurança. Por isso vamos aguardar mais um pouco." Outros grupos de mães fazem vigilância em escolas municipais de outros bairros.

Guarda

A prefeitura informou que a Guarda Civil Municipal (GCM) mantém rondas nas 119 pré-escolas e creches municipais. De janeiro a agosto, foram registrados 147 casos de furto e vandalismo nas escolas, com prejuízo de R$ 1,1 milhão. Comandante da GCM, Marcos Mariano disse que as rondas estão sendo intensificadas. Ele informou ainda ter orientado as mães para que se abstenham da vigilância às escolas, pois essa é competência de GCMs treinados - sem preparo, elas se expõem a riscos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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