Polícia já bloqueou 229 mil celulares roubados

Bruno Ribeiro, Marco Antônio Carvalho e Cecília do Lago

São Paulo

As Polícias Civil e Militar destacam mudanças no patrulhamento das regiões de São Paulo mais visadas pelos criminosos e ações de inteligência para frear os índices de roubo de telefones celulares - em especial, a ferramenta que permite bloquear telefones roubados, inutilizando aparelhos que poderiam ser revendidos.

A ferramenta exige que a vítima forneça o código Imei do telefone - uma numeração única de cada aparelho. Segundo o delegado Luiz Fernando Ortiz, da Divisão de Tecnologia da Polícia Civil, todos os códigos colhidos pela secretaria são enviados para uma "blacklist" mantida pelas operadoras de telefonia. "Informamos o código e as operadoras fazem o bloqueio", explica. Em 2017, 229,1 mil códigos foram enviados. No ano passado haviam sido 296,1 mil.

O capitão da Polícia Militar Rodrigo Cabral, da Comunicação Social da corporação, afirma que, mais do que bloquear o aparelho, esses códigos permitem que, nas ruas, os policiais identifiquem se um aparelho é roubado. "Nas viaturas, é possível consultar se o Imei está bloqueado. Se estiver, significa que o aparelho foi roubado e a pessoa que está com ele é levada à delegacia, e pode responder pelo crime de receptação", diz.

Cabral destaca o aumento de 14% nos flagrantes de receptação de celulares - foram 2.520 entre janeiro e agosto de 2016, ante 2.864 neste ano -, mas reforça que a polícia precisa da ajuda da população. "No celular, o cidadão fica alheio ao ambiente que o cerca", o que facilitaria a ação dos criminosos.

Patrulhamento

Cabral afirma ainda que a PM vem adotando estratégias diferenciadas para o patrulhamento, de acordo com cada região. "No centro, com muita gente, calçadão, temos buscado aumentar o patrulhamento com bicicletas", afirma. "Nos bairros em que há problemas nos pontos de ônibus, há equipes da Rocam (com motos) que passaram a iniciar o patrulhamento às 4 horas, ainda no fim da madrugada", diz.

O delegado seccional do centro da capital, Marco Antônio Paula Santos, ressalta que o combate passa pela atuação contra os receptadores. "É uma investigação simples, mas não existe organização criminosa por trás, é um crime plenamente desorganizado."

Santos afirma atuar em feiras do centro, tradicionais pontos de revenda ilegal, mas reclama da legislação. "A receptação é entendida pelo Judiciário como um crime menos danoso e tem o apenamento menor. Ninguém vai para a cadeia por isso. E adivinha para onde eles voltam?" As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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