'Nunca recebi pressões ou propostas indevidas', diz Coutinho à CPMI da JBS

Lorenna Rodrigues

Brasília

O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho disse que nunca teve conhecimento de operações da instituição vinculadas ao pagamento de propina. "Nunca recebi pressões ou propostas indevidas", afirmou, em depoimento à CPMI da JBS, que durou mais de cinco horas.

Coutinho disse ainda que nunca teve conhecimento de acertos de doações políticas feitas pelo ex-ministro Guido Mantega. Ele foi questionado por parlamentares sobre a lisura de empréstimos concedidos à JBS e afirmou que os financiamentos seguiram critérios técnicos, que o banco "é muito rígido" e que tem a consciência "absolutamente tranquila".

"Espero que a JBS sobreviva, porque ela emprega muita gente, e que tenha sua governança aperfeiçoada", acrescentou.

Reunião

Coutinho confirmou que se reuniu com o então ministro da Fazenda Guido Mantega e um dos donos da JBS Joesley Batista no gabinete de Mantega, conforme dito por Batista em delação premiada. No depoimento, disse ter "vaga recordação" da reunião e não se lembrar dos temas tratados. "Me senti desconfortável (com a reunião no gabinete de Mantega) porque recebia todos os empresários que me pediam audiência", afirmou.

Coutinho também negou conhecer o empresário Victor Sandes, acusado por Joesley Batista de cobrar propina para intermediar interesses da JBS junto a Mantega. "Jamais recebi do ex-ministro Guido Mantega qualquer solicitação indevida vinculativa a qualquer procedimento do BNDES", afirmou. Em relação ao ex-ministro Antonio Palocci, Coutinho disse que teve "pouquíssimos" contatos com ele e que não estava no governo quando ele era ministro da Fazenda. "Jamais tratei com o ex-ministro Palocci sobre qualquer contribuição política", afirmou.

Coutinho foi questionado sobre suas atividades como consultor e afirmou que nunca recebeu por consultoria durante sua passagem pelo banco de fomento. Ele foi indagado sobre seu salário no banco e disse que ganhava cerca de R$ 60 mil brutos e bônus anuais que chegavam a quatro salários.

O ex-presidente ainda defendeu que as operações do BNDES sempre foram rentáveis e que o banco sempre foi bastante lucrativo. Ele afirmou que a instituição fornece todas as informações solicitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e outras autoridades. "Essa história de caixa preta no BNDES foi um slogan inventado e que continua sendo repetido indevidamente", alegou.

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