Servidores tentam driblar a falta de pagamentos

Luciano Nagel

Desde que o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, começou a parcelar a remuneração dos servidores, em 2015, o funcionalismo gaúcho reclama do descaso do governo. Nem mesmo o pagamento integral na semana passada do salário de quem ganha até R$ 1.750, agradou.

Um servidor público que trabalha na Administração da Secretaria Estadual da Agricultura, em Porto Alegre, disse que "essa lógica é uma medida populista, porque na verdade estamos chegando perto das eleições e as categorias beneficiadas em receber os pagamentos em dia são os professores e a Brigada Militar. O governador diz que está priorizando quem recebe o menor salário. E os outros, como ficam? Todo mundo tem conta pra pagar!"

Para driblar a crise financeira que vem enfrentando, com 22 meses de parcelamento do salário, Jonathan dos Santos (nome fictício, alterado a pedido do servidor) afirma que já teve que abrir mão de pequenos hobbies, como, por exemplo, ir à praia nos finais de semana. "Eu tinha uma rotina de ir todos os finais de semana para a praia, mas agora não dá, torna-se muito caro.

Além disso tem a falta de segurança. Bandidos armados entraram na minha casa e levaram tudo", desabafou indignado o servidor que agora depende da ajuda financeira da família para poder pagar a faculdade de Direito, aluguel, condomínio entre outras despesas.

Aposentado

Já o policial civil aposentado Mário Carlos da Silva Costa, 74 anos, não viu a cor do dinheiro no final do mês passado. Seu salário será depositado só depois do pagamento aos servidores do Estado que recebem os menores salários.

"Trabalhei 35 anos na polícia civil e já passei por várias situações difíceis, como no governo de Leonel Brizola, em 1962, mas desta vez a coisa está feia", afirmou o aposentado, que reside em Porto Alegre.

Costa explica que, metade da sua aposentadoria vai para gastos com medicamentos e consultas psiquiátricas para sua filha, de 35 anos, que sofre de esquizofrenia.

"As consultas são caras, em média R$ 500, mas o médico que trata minha filha fez um bom desconto. Já os medicamentos, tenho conseguido um pouco mais barato por meio de convênio com o sindicato ", disse o policial, que recebeu em agosto um depósito de apenas R$ 350. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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