PF fez buscas na residência e no escritório da executiva Isabel

Ricardo Brandt, enviado especial,e Julia Affonso

Curitiba e São Paulo

A Polícia Federal fez buscas nesta sexta-feira, 20, na residência e no escritório da executiva Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, suspeita de realizar a abertura e a gestão de contas de Maurício de Oliveira Guedes, o "Azeitona", e Paulo Cezar Amaro Aquino, o "Peixe", ex-gerentes da Petrobras, mantidas e abastecidas com propinas da Odebrecht junto ao Banco Société Générale.

Isabel mora e atua no Brasil. Documentos obtidos pelo Ministério Público Federal mediante cooperação jurídica internacional revelam que ela providenciou a papelada para abertura de contas de "Azeitona" e "dois ex-gerentes da estatal petrolífera, por meios das quais foram movimentados milhões no exterior".

O esquema descoberto na nova fase da Lava Jato, que não ganhou nome da PF pela primeira vez, mostra que um grupo de quatro ex-gerentes da estatal petrolífera recebeu R$ 95 milhões em propinas, por meio de contratos aditivados com a empreiteira. Desse total, pelo menos R$ 32 milhões foram remetidos para contas no exterior.

Em depoimento à PF, Maurício "Azeitona" admitiu que abriu uma conta no Banco Société Générale, da Suíça, por sugestão do executivo da Odebrecht Rogério Santos de Araújo e que foi surpreendido pela realização de um depósito. Ele afirmou que procurou Rogério e disse a ele "que não concordava com aquilo e não queria estar envolvido em nada relacionado a propina".

"Azeitona" declarou que "não ficou com o dinheiro". Para abrir a conta, disse à PF, teria contado com o auxílio de Isabel.

Os procuradores dizem que Isabel era representante ou agente do Banco Société Générale no Brasil, tendo ela também auxiliado a abertura da conta em nome da offshore Kateland International utilizada por Paulo Cezar Amaro Aquino, o "Peixe".

A pedido da Procuradoria, o juiz federal Sérgio Moro autorizou buscas de provas nos endereços de um outro ex-dirigente da Petrobras, Djalma Rodrigues de Souza, o "Jabuti" - ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa - e também de Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho e de suas empresas.

"O quadro probatório é mais do que suficiente para caracterizar causa provável a justificar a realização de busca e apreensão nos endereços dos investigados", destacou Moro. "No caso de Isabel Izquierdo Mendiburo Degenring Botelho, a busca terá por objetivo verificar se abriu contas no exterior para outros executivos da Petrobras ou para outros agentes públicos."

"Os mandados terão por objeto a coleta de provas relativa à prática pelos investigados dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, associação criminosa, evasão fraudulenta de divisas, além dos crimes antecedentes à lavagem de dinheiro", anotou Moro.

A reportagem procurou o Société Générale Brasil e aguarda retorno.

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