Corpo de Oliveiros S. Ferreira, ex-diretor do 'Estado', é sepultado em SP

José Maria Mayrink

São Paulo

O corpo do jornalista Oliveiros S. Ferreira, ex-diretor do jornal O Estado de S.Paulo, que morreu na manhã deste sábado, 21, em Campinas, aos 88 anos, foi enterrado neste domingo, 22, no Cemitério São Paulo, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Dezenas de amigos, companheiros de redação e da Universidade de São Paulo (USP), da qual foi professor, assistiram ao sepultamento no jazigo da família, numa cerimônia simples, sob chuva fraca.

A viúva Vânia Leal Cintra, o enteado, o jornalista William Waack, filho de Leontina de Almeida, com quem Oliveiros viveu de 1965 a 1999, e o sobrinho Antônio Carlos Pereira, editor responsável de Opinião do Estado, acompanharam a cerimônia. Julio Cesar Mesquita e Marina Mesquita, filhos de Julio de Mesquita Neto, e Rodrigo Mesquita, filho de Ruy Mesquita, membros da família proprietária do Grupo Estado, também estavam presentes.

O jornalista João Fábio Caminoto, diretor de Jornalismo do Estado, e vários colegas de redação, a maioria editorialistas, foram despedir-se de Oliveiros, ao lado de redatores e repórteres que trabalharam com ele, ao longo dos 47 anos em que permaneceu no jornal.

Compareceram ainda o professor José Álvaro Moisés, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP, e o chefe do Departamento, professor Álvaro de Vita.

"Oliveiros foi uma figura brilhante e profunda, de gentileza incomum com colegas e alunos", disse Moisés. "A contribuição de Oliveiros para a reflexão sobre o papel do Estado na democracia, eficiente e eficaz para consolidar a autoridade, foi admirável."

O professor Álvaro de Vita afirmou que Oliveiros era muito respeitado pelos alunos e colegas, mesmo quando divergiam de suas ideias. "Era um professor instigante que gostava do debate", disse.

Ao comentar o papel desempenhado por Oliveiros no jornal, o jornalista Antônio Epifânio Moura Reis, diretor de Jornalismo e representante da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em São Paulo, lembrou as dificuldades e os desafios do tempo da censura, no regime militar.

"O professor Oliveiros viveu uma situação mais que surrealista no período da censura ao Estadão, quando recebia os censores com a maior dignidade, sem se subjugar a eles. Com isso, garantia a liberdade de imprensa", disse Moura Reis.

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