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Davigo: Políticos na Itália não pararam de roubar; pararam de se envergonhar

Thaís Barcellos e Altamiro Silva Junior

São Paulo

24/10/2017 11h29

O presidente da seção criminal da Corte de Cassação (o supremo tribunal italiano), Piercamillo Davigo, afirmou que, na Itália, os políticos não pararam de roubar com a Operação Mãos Limpas, mas apenas pararam de se envergonhar. A afirmação foi feita durante debate no Fórum Estadão Mãos Limpas & Lava Jato, organizado pelo Estadão em parceria com o Centro de Debates de Políticas Públicas (CDPP).

Além disso, Davigo disse que a Justiça italiana foi acusada de condenações seletivas, mas que não foi verdade. "Na Itália, fomos acusados de termos salvado uma parte dos políticos, principalmente do ex-partido comunista. Mas não é verdadeiro, prendemos vários deles. Mas uma mentira dita muitas vezes torna-se verdadeira." Ele criticou a mídia, que, segundo ele, é dominada por poderes empresariais e políticos.

O ex-juiz Gherardo Colombo acrescentou que quase todos os partidos políticos estavam envolvidos em esquemas de corrupção, com a exceção de dois muito pequenos, um de direita e um de esquerda. "Partidos pequenos e sem poder", disse.

Segundo Davigo, a opinião pública reage com impaciência a esses casos de corrupção.

Respondendo pergunta sobre se a Lava Jato poderia influenciar positivamente a retomada das investigações contra a corrupção na Itália, Davigo diz que há impulsos internacionais para o combate a esses crimes. Mas ponderou que, mesmo que haja mudanças legislativas, se a cultura italiana não estiver aberta, não serão efetivas.