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Moro: números da Lava Jato são mais modestos, mas tem caráter 'ilustre' de presos

Altamiro Silva Junior e Thais Barcellos

São Paulo

24/10/2017 11h07

O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, afirmou que não se resolve corrupção apenas com processos judiciais, e é preciso ter reformas. "Temos passado de impunidade", disse o juiz durante o Fórum Estadão Operação Mãos Limpas & Lava Jato.

Moro ressaltou que uma das diferenças importantes entre o Brasil e Itália é que aqui foi feito "largo uso" da colaboração premiada. "Temos esse instituto mais claro na legislação brasileira. Não deixa de ter suas polêmicas mas, se bem utilizado, serve como recurso para revelar esses crimes."

O juiz ressaltou que os números da Operação Mãos Limpas são mais expressivos, com mais de 800 prisões e 3 mil investigados. A Lava Jato é mais "modesta", mas foram presos pessoas mais "ilustres". Ele citou, ressaltando que não é muito bom em estatísticas e que nunca conta as fases da Lava Jato, que só no primeiro ano foram 33 julgados em Curitiba e que quatro ex-diretores da Petrobras estão cumprindo pena, além de dirigentes de empreiteiras.

Moro ressaltou que na Petrobras houve um loteamento de cargos, descoberto pela Lava Jato, mas não se vê movimento para se alterar esquemas de corrupção no País e nem "clamor por reformas". "Precisamos de reformas mais abrangentes, não apenas de processos judiciais."

O juiz participa do Fórum Estadão Operação Mãos Limpas & Lava Jato, uma associação entre o jornal O Estado de S. Paulo e o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP). O painel, reservado para convidados, será mediado pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do Estado, e pela economista Maria Cristina Pinotti, do CDPP. Terá ainda a participação do diretor de Jornalismo do Estado, João Caminoto, e do economista Affonso Celso Pastore, do CDPP.