Na véspera da votação, Temer tem agenda aberta para atuar 'sob demanda'

Carla Araújo

Brasília

Com uma estratégia similar a da primeira denúncia, o presidente Michel Temer tem agenda oficial apenas de despachos internos nesta terça-feira, 24, e deve abrir as portas de seu gabinete a parlamentares conforme for procurado. Reforçando que é o presidente do diálogo, receber deputados às vésperas de votações importantes, fazer afagos, anotar pedidos e sinalizar que pode atender aos parlamentares tem sido a praxe do governo Temer e nesta terça-feira, segundo auxiliares do presidente, não será diferente.

Além da agenda apenas de despachos internos até o momento, Temer foi convidado e deve comparecer hoje à noite a um jantar na casa do deputado Fabio Ramalho (PMDB). Na véspera da votação da primeira denúncia, ele foi até a casa do deputado mineiro - famoso por servir grandes banquetes - e chegou a ter que subir de escadas seis andares por conta de um elevador quebrado.

Mapeamento

Na noite desta segunda-feira, 23, Temer reuniu líderes da base aliada no Palácio do Alvorada para fazer um levantamento da disposição da base em derrubar a denúncia por obstrução de justiça e formação de quadrilha. Além do presidente, são alvos da acusação os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência).

A avaliação que foi feita é que o governo conseguirá barrar a denúncia com um placar "entre 260 e 270 votos". Também foi reforçado - assim como na primeira denúncia - que é o momento da base aliada mostrar lealdade e que traições serão retaliadas, com perda de cargos, por exemplo. Há também por parte dos parlamentares uma cobrança para que as emendas prometidas sejam de fato liberadas.

Conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo desta terça, desde 14 de setembro, quando a Procuradoria-Geral da República apresentou a denúncia por organização criminosa e obstrução da justiça contra Temer, o governo liberou quase R$ 829 milhões em emendas. Do valor total previsto para este ano, R$ 6,8 bilhões, o Planalto ainda tem cerca de R$ 1,6 bilhão para transferir aos parlamentares.

Na primeira denúncia, quando o crime em questão era corrupção passiva, Temer obteve 263 votos a seu favor e contra o seguimento da acusação - 227 foram desfavoráveis ao presidente. O resultado da votação desta quarta-feira será, na avaliação de aliados, um espelho da base de sustentação e governabilidade do peemedebista.

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