Polícia apreende 70 aves silvestres e aplica multa de R$ 420 mil

José Maria Tomazela

Dois homens foram multados em R$ 420 mil por crime ambiental, ao serem flagrados transportando 70 aves da fauna silvestre brasileira, na tarde de segunda-feira, 23, em Rosana, extremo oeste do Estado de São Paulo.

Os pássaros, alguns ameaçados de extinção, seriam vendidos na capital. As aves estavam acondicionadas em caixas, no interior de um carro, parado durante fiscalização da Polícia Militar Rodoviária, na Rodovia Arlindo Bettio (SP-613). O veículo procedia do Estado de Mato Grosso do Sul.

Os policiais resgataram 46 filhotes de papagaio-verdadeiro, 14 filhotes de coruja-buraqueira e coruja-da-igreja, três carcarás e sete gaviões.

Ouvido na delegacia da Polícia Civil, em Rosana, o motorista alegou que havia sido pago apenas para fazer o transporte das aves. Ele e o homem que o acompanhava foram indiciados por crime ambiental e foram liberados.

Os filhotes foram entregues à Polícia Militar Ambiental e seriam destinadas a um criadouro autorizado, já que, sem a proteção dos pais, as pequenas aves não sobreviveriam na natureza.

O tráfico de aves canoras e ornamentais ainda movimenta um intenso comércio clandestino no Estado de São Paulo. Em setembro, 64 pássaros silvestres foram apreendidos em Santa Cruz do Rio Pardo. As aves - canário-da-terra, azulão, trinca-ferro, papa-capim, pintassilgo, tiê-preto e caboclinho - tinham sido caçadas recentemente na natureza e estavam dispostas em caixas e gaiolas para transporte.

O homem que detinha as aves foi multado em R$ 77 mil. Depois de examinados por um veterinário, os pássaros foram libertados.

A maior apreensão deste ano aconteceu em maio, em Barra do Turvo, no Vale do Ribeira. A Polícia Militar apreendeu 1.738 pássaros e prendeu quatro homens numa estrada de acesso à Rodovia Régis Bittencourt.

As aves, inclusive de espécies ameaçadas de extinção, como azulões e canários-da-terra verdadeiros, seriam levadas para venda em São Paulo. Só os pintassilgos somavam 1.250 espécimes. No mercado clandestino, essas aves são vendidas a preços que variam de R$ 100 a R$ 200, mas, depois de treinadas, chegam a valer de cinco a dez vezes mais.

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