Até igreja vira posto de vacinação contra febre amarela em São Paulo

Luiz Fernando Toledo

Escolas e até igrejas entraram no roteiro de vacinação contra a febre amarela na zona norte de São Paulo neste fim de semana. Os espaços foram usados pela Prefeitura como postos temporários de imunização, além de 37 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da região. Os moradores esperaram até uma hora e meia nas filas.

Ao todo, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 371,1 mil pessoas já foram vacinadas - 71 mil delas ontem.

A Prefeitura tem o objetivo de vacinar 95% da população da zona norte - o que corresponde a 2,2 milhões de pessoas - em até dois meses. Promete também ampliar a oferta do imunizante a todos os 91 postos de saúde da região.

No Centro Educacional Unificado (CEU) Atlântica, em Pirituba, a fila dava a volta em toda a unidade e ia até a rua na manhã do domingo, 29. Agentes de saúde fizeram uma espécie de triagem para tirar dúvidas de quem chegava e dar prioridade a alguns grupos, como adultos com crianças e pessoas com deficiência. O atendimento também foi oferecido no CEU Pera Marmelo, na mesma região.

"Montamos um quartel-general aqui dentro", conta a gerente de serviços de saúde Guiomar Parada. A cozinha da escola municipal se transformou no local do estoque, onde ficavam as vacinas, embaladas, além de algodões e agulhas. A secretaria informou manter os parâmetros adequados de refrigeração dos imunizantes.

As injeções eram aplicadas no pátio - 12 postos foram montados para atender à população. Para organizar todo o processo, a equipe de saúde chegou ao local ainda na sexta-feira.

Sob sol intenso, a dona de casa Sueli Dias Silvestre, de 57 anos, aguardava a vez. "Estou esperando há uma hora e meia e ainda acho que vai mais uns 30 minutos", disse ela, com ao menos 20 pessoas à frente na fila. "Tinha de ter mais postos para atender", reclamava Sueli, moradora da região.

Além das escolas, duas igrejas foram usadas como posto de vacinação, na Chácara Maria Trindade e no Morro da Mandioca, também na zona norte. "Não moro, mas trabalho aqui. Por isso, fiquei com medo e decidi vir", conta a comerciante de frutas Carolina Lopes, de 27 anos, que foi à Igreja Batista em busca da proteção contra a doença.

O local, diferentemente de outros postos, não tinha fila. Mas o horário de atendimento foi rigoroso: um grupo de quatro adolescentes que chegou às 14h01 (o posto fecharia às 14 horas) não conseguiu atendimento. "Hoje acabou", informou a agente de saúde, na porta.

Orientação

A Prefeitura tem dito que só há necessidade de vacina para a zona norte, principalmente nas áreas perto de matas. No Horto Florestal e no Parque Anhanguera foram achados três macacos mortos com o vírus neste mês. Nas outras regiões, diz a Prefeitura, não há necessidade de pânico.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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