Tripoli diz que Jereissati "já é candidato" à presidência do PSDB

Julia Lindner e Renan Truffi

Brasília, 06

O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), afirmou ao Broadcast Político, na noite desta segunda-feira, 6, que o senador Tasso Jereissati (CE) "já é candidato" e "agora só precisa começar a campanha" para a presidência do partido. Inicialmente, a ideia dos aliados de Jereissati era oficializar a candidatura durante uma reunião com 24 deputados tucanos que defendem o desembarque do governo, amanhã, e o governador Marconi Perillo (GO), adversário de Jereissati na disputa. O plano mudou após Perillo exigir a presença de todos os integrantes da bancada no encontro, o que deve inviabilizá-lo.

De acordo com Tripoli, o intuito dos aliados de Jereissati será buscar um acordo em busca de uma candidatura única para o comando da sigla. O grupo vai tentar convencer Perillo a desistir da candidatura com o argumento de que o cearense já conta com 24 dos 46 votos da bancada do partido na Câmara dos Deputados. Já o time de Perillo fará o mesmo movimento, mas com a justificativa de que o senador tem de concorrer ao governo do Ceará para garantir palanque à candidatura de Geraldo Alckmin ao Planalto. Aliados de Jereissati afirmam que ele já descartou essa possibilidade.

Segundo a assessoria de imprensa de Perillo, ele tem agendada, nesta terça-feira, 7, pela manhã, uma reunião na residência oficial do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg. Depois, reservou o período da tarde para conversar com parlamentares e buscar apoio para sua campanha.

Na semana passada, Perillo esteve reunido com Jereissati para formalizar a sua candidatura. Na ocasião, o governador de Goiás surpreendeu ao declarar que "seria natural" o desembarque do governo no final deste ano, quando considera que os ministros tucanos devem deixar a gestão Temer para focar na eleição de 2018. O discurso de Perillo, no entanto, não teria convencido os chamados "cabeças pretas", que permanecem em defesa da candidatura de Jereissati.

Reunião. Nesta segunda-feira, Perillo afirmou que a reunião deveria ter um formato melhor, pois acha complicado discutir uma decisão importante para os rumos do PSDB só com uma parte da bancada, excluindo os 20 deputados que votaram a favor de Michel Temer na denúncia da Procuradoria-Geral da República. À noite, ele se reuniu justamente com esta parte da bancada, que é contra a candidatura de Jereissati.

"Estou absolutamente desarmado para ajudar o partido. Não dificulto nada. Não fiz nenhum movimento. Estou jogando parado, conversando por telefone com algumas pessoas. Se conseguirmos um entendimento, melhor", afirmou Perillo antes do encontro.

Jereissati queria que os deputados favoráveis a ele formalizassem a sua candidatura amanhã para passar a imagem de que ele disputará devido à pressão dos parlamentares, e não por vontade própria, já que vinha negando reiteradamente a sua candidatura após assumir a presidência interina da legenda no lugar do senador Aécio Neves (MG). A presença de seus adversários, no entanto, poderia tumultuar a reunião

Segundo aliados de Jereissati, o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, publicado no domingo, 5, em que defende o rompimento com o governo do presidente Michel Temer, deu "força" para o discurso do senador cearense de que o partido precisa desembarcar até o final do ano e reconhecer erros cometidos por tucanos.

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