Decisão de Bruno Araújo causa surpresa em dirigentes tucanos

Pedro Venceslau, colaboraram Julia Lindner e Cláudia Trevisan

São Paulo

  • DEMéTRIUS ABRAHãO DE FARIAS FERREIRA/Fotoarena/Estadão Conteúdo

A decisão do tucano Bruno Araújo (PE) de deixar o cargo de ministro das Cidades pegou de surpresa os principais líderes do PSDB, apesar de ele ter dito que conversou "com vários quadros do partido" antes de apresentar a carta de demissão.

O presidente interino da legenda, Alberto Goldman, e os demais integrantes da executiva não foram avisados previamente. O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que está em Roma, também não. "Foi uma decisão pessoal dele, até porque o PSDB não indicou nenhum ministro. O partido decidiu ajudar o governo nas reformas. Vai continuar da mesma forma, seja com quatro ou nenhum ministro", disse Goldman.

Um dos poucos consultados por Araújo foi o governador de Goiás, Marconi Perillo, que está em campanha para presidir o PSDB. "A saída do ministro mostra que o afastamento natural e elegante é o melhor caminho e que é falsa a afirmação de que o PSDB se resume a um plebiscito entre aqueles que querem ficar ou sair do governo Temer."

"Que ministro saiu? Vocês estão me falando agora", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a jornalistas brasileiros em Washington, onde foi homenageado pelo Inter-American Dialogue. Em entrevista à TV colombiana NTN24, parceira do evento, o ex-presidente disse que o PSDB terá, agora, "mais autonomia".

Abril

Aloysio Nunes não deve seguir o caminho de Araújo por ora. O plano inicial era ficar até abril, quando deve deixar o governo para disputar a reeleição ao Senado por São Paulo. O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), afirmou que a saída de Araújo mostra que o partido "não tem apego" a cargos. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Reinaldo Azevedo: "Decisões do PSDB fazem pacto antecipado com a derrota"

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