Família de Jean Charles lamenta impunidade

Júlia Marques

São Paulo

Há 12 anos, o brasileiro Jean Charles de Menezes, que tinha 27 anos à época, foi morto a tiros pela polícia de Londres ao ser confundido com um terrorista no metrô. A prima de Jean Charles, a supervisora de limpeza Patrícia Armani, de 43 anos, jamais esqueceu o dia 22 de julho de 2005.

"Foi muito difícil. Entrei em choque, não parava de chorar e não dormia", lembra ela, que morava com o eletricista no sul de Londres, na época do crime. "Ele nos ajudou, convivíamos juntos, (éramos) uma família", disse ela ao jornal O Estado de S. Paulo.

A casa foi vigiada naquela madrugada por agentes que suspeitavam que um dos autores de uma tentativa de atentado terrorista, no dia anterior, morasse no local. Quando o brasileiro saiu pela manhã para ir ao trabalho, foi seguido pelos policiais à paisana.

Pelo aspecto físico do eletricista, moreno e de olhos escuros, os agentes o associaram a um acusado de terrorismo. Jean Charles chegou à Estação Stockwell e, ao entrar em um dos vagões, foi atingido por sete tiros na cabeça e um no ombro.

O caso chocou. A família, de Minas Gerais, se mobilizou para punir os responsáveis, o que não ocorreu. Em 2016, a Corte europeia rejeitou recurso para que os agentes envolvidos fossem julgados. E, em fevereiro deste ano, Cressida Dick, chefe da operação que levou à morte do brasileiro, foi nomeada para comandar a polícia londrina.

"É revoltante e dá um sentimento de impotência muito grande. O que fica é a saudade e a sensação de impunidade", afirma Patrícia. Tanto tempo depois, o medo ainda persiste. "Sempre tememos. Estamos em uma época incerta, de ataques terroristas frequentes", conta a prima, que ainda mora em Londres.

Portugal

Uma mulher brasileira de 36 anos, identificada como Ivanice Carvalho da Costa, morreu após ser baleada no pescoço, pela polícia, na madrugada dessa quarta-feira, 15, em Lisboa. Segundo a imprensa portuguesa, os policiais confundiram o carro em que a ela e o namorado estavam, um Renault Megane preto, com um Seat Leon preto que havia escapado de uma perseguição policial minutos antes, no bairro de Encarnação, próximo ao local onde a brasileira foi atingida. De acordo com a Polícia de Segurança Pública de Lisboa (PSP), o condutor do carro não obedeceu a ordem de parada e tentou atropelar os policiais.

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