Correção: Nº de praias paulistas com qualidade boa quadruplica desde 2013

Giovana Girardi e Priscila Mengue

São Paulo

O texto enviado anteriormente contém uma incorreção. Diferentemente do que foi noticiado inicialmente, a giardíase não é uma verminose, mas uma parasitose causada por um protozoário. Segue texto corrigido:

Os veranistas têm motivos para comemorar: a balneabilidade do litoral paulista é a melhor dos últimos anos. Em 2013, somente uma em cada dez praias monitoradas semanalmente pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) eram balneáveis durante os 12 meses do ano. Agora, em 2017, 41% do litoral esteve apto para o banho em todas as semanas.

No último levantamento, com coleta de amostras no dia 17, dos 173 pontos monitorados, apenas 15 tinham más condições de balneabilidade. Eles ficam em Mongaguá, Praia Grande, Santos, Guarujá, São Vicente, na Baixada Santista, e Ilhabela e Ubatuba, no litoral norte.

Segundo Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb, 2017 é o terceiro ano em que se observa melhora na qualidade das praias. Um dos principais motivos é o tempo seco. "Em geral, o pico de baixa qualidade ocorre em janeiro, mas neste ano não chegou a nem 30% de praias impróprias no mês, o que é pouco para a época", afirma Claudia.

A técnica da Cetesb explica que a influência da chuva é mais evidente nos pontos onde há oscilação entre a balneabilidade boa e imprópria, como a Prainha, em Caraguatatuba, por exemplo. "A chuva prejudica muito a qualidade da água, pois lava o solo da cidade. A água fez o que a gente chama de escoamento superficial, levando a carga poluidora para as praias."

Há casos, contudo, em que o nível de poluição é constante. A cidade de Guarujá traz dois exemplos opostos disso: enquanto a praia do Perequê foi mal avaliada em todos as semanas do ano, a do Tombo, teve avaliação 100% positiva.

A melhora foi mais significativa na Baixada Santista. A região, que em 2013 tinha apenas uma praia própria para o banho o ano inteiro entre 70 analisadas, em 2017 teve 22 entre 72. As cidades da Baixada são bastante procuradas durante o verão.

Na temporada 2017-2018, por exemplo, a Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, estima que 4,3 milhões de veículos devem deixar a capital em direção ao litoral sul.

Outro motivo para a melhora apontado por Claudia são os investimentos em saneamento básico. "Às vezes demora para aparecer o resultado, porque primeiro se instala a rede, depois as pessoas têm de se conectar. Talvez isso esteja aparecendo agora, até porque anos chuvosos podem mascarar o resultado desse tipo de ação."

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Baixada Santista recebeu quase R$ 2 bilhões em investimentos de saneamento, tendo aumento de cobertura de esgoto de 54% para 78% em dez anos. No litoral norte, esse número foi de 30% para 69% no mesmo período.

Em janeiro, a Secretaria do Meio Ambiente paulista inicia campanha para conscientizar turistas e frequentadores das praias a manter os locais limpos e gerar menos resíduos.

Riscos

Por mais que o banhista tome cuidados, como evitar ingerir água, o médico infectologista Ricardo Hayden diz que entrar em águas impróprias pode levar ao contágio de doenças, como as hepatites A e E, conjuntivite, diversos tipos de gastroenterites, rotavírus, leptospirose e otite. Além disso, há chance de contrair parasitoses, como a giardíase.

"É maior o risco de contrair doenças oral-fecais, em que o contágio se dá pela ingestão de uma parcela, mesmo que pequena, de água contaminada por fezes infectadas", afirma. Um grama de fezes, segundo Hayden, pode conter até um milhão de bactérias e mil parasitas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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