Ação do Exército no Alemão teve até guerra cibernética

Marcelo Godoy

São Paulo

  • Marcia Foletto/Agência O Globo

    Tropas do Exército em ocupação no Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio

    Tropas do Exército em ocupação no Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio

Durante a Operação Arcanjo, no Complexo do Alemão, no Rio, o Exército lançou mão de um arsenal pouco conhecido de ações: desde operações de informações a ações psicológicas, guerra eletrônica cibernética e atividades de contrainteligência. É o que consta de dois trabalhos de militares sobre a operação, ocorrida de 2011 a 2012 no Alemão, durante 583 dias.

A guerra de informações e cibernética contou com ações em redes sociais para desorientar os traficantes de drogas. Para ela, até o Centro de Informações do Exército (CIE) foi mobilizado.

Seus agentes cuidaram do disque-denúncia, colhendo informações sobre os bandidos e analisando os dados obtidos com as patrulhas. O modelo é descrito pelo major Georgingtown Haullinson Farias e pelo coronel Carlos Alberto de Lima em seus estudos sobre a atuação no Alemão.

Segundo eles, "militares especializados no atendimento a denúncias" permitiram que o serviço fornecesse à área operacional informações precisas e seguras.

O fluxo de informação para o disque-denúncia só começou a cair, segundo o coronel, quando o sexto contingente entrou no Alemão, e já estava sendo anunciada a substituição das Forças Armadas pela polícia.

"No Alemão era uma facção só. Na Maré eram quatro facções e nenhuma delas queria perder espaço. Os chefes saíram, mas deixaram os soldados lá dentro", disse o chefe de operações conjuntas do Ministério da Defesa, general César Augusto Nardi de Souza.

Durante a ocupação, os números de criminalidade caíram no Alemão e na Maré e alguns serviços públicos foram estabelecidos. Pesquisa feita pela ONG Redes da Maré com mil moradores de 18 a 69 anos, e divulgada em 2017, mostrou que, para 73,4% da população da região, a atuação da força de pacificação era ótima, boa ou regular. Só 25,4% desaprovavam a atuação dos militares.

Resistência

Para Edson Diniz, da Redes da Maré, a presença das Forças Armadas deixou um legado pequeno para a comunidade. "A pesquisa mostra que a percepção que ficou do legado foi ruim." Segundo ele, houve uma tensão crescente dos militares com os jovens da Maré. "Esse segmento foi muito afetado pelo Exército."

Segundo Diniz, a presença da tropa trouxe expectativa de que as coisas podiam melhorar. "E quando sai da Maré a um custo altíssimo - R$ 1 milhão por dia -, o legado que deixou foi nada. Hoje a Maré voltou a ter problema com os grupos armados e com a polícia - que voltou a entrar com muita violência." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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