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'Foi um erro não ter tomado a vacina', diz irmão de vítima da febre amarela

Isabela Palhares, com colaboração de Paula Felix

São Paulo

11/01/2018 07h43

O motorista Adilson Tadeu Esteves Cypriano, de 48 anos, foi passar o Natal na casa da irmã na Serra da Cantareira, no limite entre Mairiporã e Caieiras, acompanhado das duas filhas de 6 e 8 anos e do pai. O único sem ter sido vacinado contra a febre amarela, Cypriano voltou para São Paulo no dia 26 e dois dias depois começou a sentir sintomas da doença.

"Ele achou que era gripe comum, automedicou-se, descansou e achou que iria passar. No dia 1.º, passou o dia todo praticamente na cama, mas começou a ter dor de barriga e achamos melhor ir ao hospital", contou o irmão da vítima, Irineu Esteves Cypriano Filho, de 58 anos. Eles foram a um hospital, em Santana, na zona norte, onde se fez o diagnóstico de intoxicação alimentar.

Após dois dias sem sentir uma melhora, Cypriano procurou mais uma vez o centro médico, onde fez uma bateria de exames. "Nessa hora, os médicos já suspeitavam de febre amarela, dengue e até leptospirose. Começaram a perguntar onde ele tinha ido nos últimos dias, se esteve em área de enchente ou bebeu direto da latinha algum refrigerante", contou o irmão.

Horas depois, os olhos de Cypriano ficaram amarelados e ele foi internado na UTI. Uma biópsia constatou que o fígado do paciente estava muito danificado. Acabou transferido para outro hospital particular, onde morreu, na terça-feira, dia 9.

Cypriano morava na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, a primeira região da cidade com a recomendação para que os moradores tomassem a vacina. "Foi um erro, um vacilo não ter tomado a vacina. Eu e minha irmã (dona da casa na Serra da Cantareira) também não estávamos vacinados, foi mais por negligência do que por falta de informação", lamentou Irineu. Ele espera que a morte do irmão possa alertar outras pessoas. "Se uma, dez ou cem mil pessoas se vacinarem depois de saberem da nossa perda, ele vai salvar muita gente."

Investigação

A reportagem procurou a Secretaria Municipal da Saúde, que informou que o caso está em investigação e o laboratório de referência para o diagnóstico da doença é o Instituto Adolfo Lutz. A secretaria afirmou ainda que, desde o início de 2017, houve 16 casos importados de febre amarela silvestre relatados na capital. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.