Brasileira presa há mais de um mês nos Estados Unidos deve ser deportada

Renata Okumura

A brasileira Roberta Guimarães Antunes, 35, foi detida na fronteira do México com os Estados Unidos no dia 27 de novembro do ano passado. Há dois anos, a jovem mora e estuda no país norte-americano. Porém, uma viagem de fim de semana para o país vizinho se tornou um pesadelo para ela e a família.

"Ela estava com o namorado. Ele é americano e já morou e trabalhou no México. Ainda tem amigos lá. Era feriado de Thanksgiving (Ação de Graças) e, como de costume, decidiram ir para Ensenada, uma cidade que fica no noroeste do México", relatou Caroline, irmã de Roberta que mora com ela em San Diego, há um ano.

Caroline ressalta que também já foi ao México e é um procedimento comum levarem estudantes para uma sala para conferir os documentos. "Isso normalmente acontece. Mas o namorado da Roberta, que ficou apreensivo, está me ajudando com advogados. Ele disse que ela aguardou mais de quatro horas na sala. Um desrespeito já que todos os documentos estavam em ordem. Dias depois, ela foi transferida para o Arizona e agora está em Washington State", ressaltou a irmã.

Roberta está no Northwest Detention Center, uma prisão de imigração localizada na região de Tacoma, em Washington. A jovem tinha visto de estudante válido por mais dois anos, porém, o documento foi cancelado pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, no dia 28 de novembro, um dia após a detenção.

A família ainda tem esperança de reverter a decisão de deportação marcada para a próxima terça-feira, 16. A brasileira foi obrigada a assinar documento garantindo que durante cinco anos não pedirá visto para voltar aos Estados Unidos. "Ela foi forçada a assinar. E ainda tiraram o direito dela de ir a corte e falar com um juiz", destacou a irmã.

"Nós moramos juntas. A Roberta estuda inglês na San Diego University for Integrative Studies. Está tudo em ordem. Ela está passando por momentos horríveis. E nenhum oficial fala o motivo da prisão. Eu converso com ela regularmente, mas não queríamos que isso estivesse acontecendo", desabafou Caroline.

A advogada norte-americana, Shannon Englert, que acompanha o processo, também afirma que os direitos da brasileira foram gravemente violados.

De longe, os pais de Roberta, que moram no Brasil, estão angustiados.

"A advogada afirma que nada há nos autos que justifique a prisão, nem, tampouco, a deportação. Minha esposa está a beira de um colapso emocional. Como ela estava com a documentação em ordem não conseguimos entender o motivo da detenção. O cancelamento do visto também é um mistério", declarou Washington Antunes, pai de Roberta.

Ele acrescenta que foi ao Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, mas não conseguiu obter informações.

A reportagem aguarda o retorno do Consulado sobre o caso.

Procurado, o Itamaraty disse que está acompanhando o caso e mantém contato com a família, mas não pode se pronunciar por sigilo da investigação.

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