Executiva nacional do PT aprova nova resolução que insiste em Lula candidato

Ricardo Galhardo e Vera Rosa

São Paulo

Um dia depois da condenação que pode tirar Luiz Inácio Lula da Silva da disputa eleitoral, a executiva nacional do PT aprovou uma resolução que reitera a disposição de insistir na candidatura do ex-presidente mas também defende a formação de uma "ampla e sólida aliança" com os demais partidos de esquerda.

"Aprofundar o diálogo e manter a unidade com os partidos e forças sociais, buscando formar ampla e sólida aliança com todos que se coloquem de acordo com o programa de governo que estamos construindo e apresentaremos ao País", diz o texto aprovado hoje.

Em um aceno na direção dos possíveis aliados no pleito do dia 7 de outubro, o PT decidiu "saudar e agradecer os partidos políticos, movimentos sociais, organizações e personalidades" que se uniram em torno da defesa de Lula.

Na terça-feira, 23, véspera do julgamento que manteve a condenação a ampliou para 12 anos e um mês a pena de Lula por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, integrantes de diversos partidos e movimentos que têm projetos próprios para a eleição se uniram ao PT em um ato que reuniu uma multidão no centro histórico de Porto Alegre. No palanque estavam dois possíveis adversários de Lula, a deputada Maluela d'Ávila (PCdoB) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, cortejado pelo PSOL.

Em tom mais brando do que as recentes manifestações oficiais do partido e suas principais lideranças, o partido fala em manter as mobilizações contra a condenação de Lula mas desvias de expressões radicais como "revolta popular" e "desobediência civil", usadas na última resolução aprovada pelo diretório nacional do partido.

O PT e seus aliados pretendem usar a oposição às reformas do governo Michel Temer como vetor de mobilizações a favor de Lula. "Lutamos para fechar a página do golpe, pela convocação de uma Assembleia Constituinte soberana que adote reformas populares e revogue as medidas que prejudicaram o povo e o país como a chamada PEC da morte, inclusive por meio de plebiscitos e referendos revogatórios", diz a resolução.

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