Jungmann avisa que não é intervenção militar, mas intervenção federal no Rio

Tânia Monteiro

Brasília

Depois do anúncio oficial da decretação da intervenção federal no Rio de Janeiro, assinado pelo presidente da República, Michel Temer, uma outra reunião para discutir os próximos passos neste trabalho a ser executado no Estado está sendo realizada no Gabinete de Segurança Institucional, do general Sérgio Etchegoyen, com a presença do ministro da Defesa, Raul Jungmann, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas e o comandante Militar do Leste, Braga Netto, nomeado interventor. Nenhuma medida será anunciada após a reunião por se tratar apenas de organização de trabalho.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que causou preocupação a interpretação de que está sendo realizada no Rio de Janeiro uma intervenção militar.

"Não é intervenção militar. Nunca passou isso pela nossa cabeça. É uma intervenção federal, na qual o interventor é um general", declarou o ministro, explicando que, quando começaram as discussões, se pensou, inicialmente, em nomear um interventor civil e dois ou três sub-interventores militares nas polícias militar e civil e setor de carceragem.

Mas, depois das inúmeras conversas, justificou, entenderam que "não seria funcional" tantas pessoas com estas coordenações e optou-se por nomear o general Braga Netto, que já está no Rio de Janeiro e conhece a realidade da cidade, para ser o administrador desta intervenção.

"Não tenho dúvidas de que a medida terá amplo apoio da população", afirmou Jungmann. Segundo ele, "todos queriam isso e as pessoas, no Rio, estavam se sentindo reféns". O ministro lembrou que a situação do Rio veio se agravando e deteriorando e acabou-se tendo que optar por esse caminho. "Achamos que apenas a decretação da Garantia da Lei e da Ordem seria suficiente, mas não foi", disse ele, acentuando que a necessidade de medidas adicionais acabaram se impondo".

O comandante do Exército, general Villas Bôas, também rejeitou a afirmação que ouviu de que o governo decretou uma intervenção militar no Rio. "Não é intervenção militar. É intervenção federal. Não é o Exército que está assumindo o controle do Rio", afirmou o general à reportagem, ao acrescentar que "o momento é de crise e em momentos de crise é preciso que haja convergência de todos, da população inclusive, para ajudar a resolver os problemas".

Com a decretação da intervenção, não há interferência do Exército no Estado do Rio. O general Braga Netto irá comandar a área de segurança pública e as Forças Armadas serão chamadas quando houver necessidade de atuação conjunta. O ministro da Defesa explicou que, como interventor, Braga Netto terá poder para nomear, demitir, reestruturar e o que mais entender ser necessário, na área de segurança pública e apenas na área de segurança do Rio de Janeiro. A questão orçamentária e política continua sendo administrada pelo governador Luiz Fernando Pezão.

Previdência

Segundo o ministro Jungmann, quando o governo for votar a reforma da Previdência, haverá revogação do decreto de intervenção. Neste momento, o presidente Michel Temer assinará uma ação de Garantia da Lei e da Ordem com toda a amplitude, onde o comando das ações passará às Forças Armadas.

Como o comando, neste momento, estará totalmente integrado, a avaliação é de que não haverá descontinuidade da atuação.

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