Violência no Rio

Sem reforma estrutural, intervenção é inócua, dizem especialistas

Roberta Jansen

Rio

  • ALESSANDRO BUZAS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

    17.fev.2018 - Movimentação militar próxima à sede do governo do Rio de Janeiro

    17.fev.2018 - Movimentação militar próxima à sede do governo do Rio de Janeiro

A intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro só será eficaz se problemas estruturais forem atacados, acreditam especialistas ouvidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Dentre os mais importantes para a redução da violência a médio e longo prazos, estão o investimento em recursos e pessoal nas polícias, o aprimoramento do trabalho de investigação e a ocupação social das áreas mais carentes.

Se nada disso for feito, dizem, pode haver uma sensação de maior segurança, mas ela dificilmente trará resultados efetivos. 

"Essa receita de pedir socorro ao governo federal vem se repetindo ao longo dos anos", constata o coronel Robson Rodrigues, ex-comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio. "Se os pontos estruturais não forem atacados, será mais do mesmo."

De acordo com o Human Rights Watch, a implementação das UPPs nas comunidades mais violentas surtiu efeito positivo na redução da violência. De 2008 a 2013, o número de homicídios em ações policiais caiu 63%. Nas comunidades com UPPs, o recuo foi de 86%.

"Infelizmente, esse projeto começou a fracassar por vários motivos, entre eles, o fato de a segunda etapa nunca ter acontecido: após a ocupação, era preciso levar às comunidades os serviços de saneamento, cuidados e saúde. Os serviços de segurança pública não vieram acompanhados dos serviços sociais", afirmou a diretora do escritório do Brasil da HRW, Maria Laura Canineu. "Por outro lado, a polícia foi abandonada."

Antropólogo e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Storani concorda com a colega. "Não adianta ter homens nas comunidades, sendo atacados, sem condições de trabalho."

Storani lembrou ainda que a polícia está desfalcada em pelo menos 4.000 homens, que se encontram cedidos a outros órgãos públicos. "Se eles não forem trazidos de volta, saberemos que tudo isso é apenas uma cortina de fumaça, medida para inglês ver."

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