Marun: não vamos nomear outro ministro enquanto Meirelles estiver no ministério

Carla Araújo, Renan Truffi e Lorenna Rodrigues

Brasília

Após participar de reunião com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), afirmaram que o governo pretende finalizar 14 substituições nos ministérios por conta da descompatibilização eleitoral. Segundo eles, o nome do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, para assumir a pasta ainda não foi definido, pois o ministro Henrique Meirelles "ainda está no cargo". Meirelles não estava na reunião deste domingo, 1º.

"A conversa com o presidente Temer e o ministro Meirelles continua, mas não está ainda no nível de confirmação", afirmou Jucá. O senador, que é presidente do MDB, reiterou que nesta terça-feira, 3, Meirelles vai se filiar ao partido e "posteriormente deverá combinar com o presidente a saída do cargo de ministro e a substituição", completou.

Jucá negou que haja impasse em relação à substituição de Meirelles. "Não há impasse. O que há são tratativas. Como o ministro Meirelles não saiu ainda, em tese, ele está conversando e esgotando dentro da equipe os caminhos que ele pode propor e o presidente vai ouvir com muita atenção", afirmou.

Marun foi na mesma linha e disse que "Guardia tem grandes chances de vir a ser ministro da Fazenda, mas o presidente ainda não decidiu". Ele destacou que o secretário-executivo "preenche os requisitos para ocupar essa função", mas que ainda não será anunciado antes de Meirelles oficializar sua saída. "Não vamos nomear outro ministro enquanto Meirelles estiver no ministério".

De acordo com Marun, a ideia é que a posse da equipe econômica aconteça na quinta ou sexta-feira desta semana. Ele afirmou que "ministro tem que ter trânsito político, mas isso não quer dizer que temos necessidade de colocar políticos à frente de ministérios". Jucá também reforçou o discurso ao dizer que "cargo de ministro é político".

O deputado Darcisio Perondi (MDB-RS), que também estava na reunião, afirmou que Temer e Meirelles ainda estão definindo "no extraordinário quadro" da Fazenda entre até três nomes possíveis para uma substituição de Meirelles.

14 trocas

Segundo Jucá, pelas contas do governo 14 ministérios terão troca no comando por conta das eleições, mas o presidente ainda está analisando nomes para compor essa nova fase do governo. "Outras mudanças o presidente está analisando, discutindo, conversando com os ministros que sairão e, portanto, vai ter a condição de formar ainda essa semana todo o gabinete ministerial", completou, ressaltando que Temer "está trabalhando com afinco" para acelerar as mudanças.

Até agora já estão definidos os novos titulares de Saúde (Gilberto Occhi), Transportes (Valter Casimiro) e Planejamento - este último foi oficializado após a reunião de hoje com a escolha de Esteves Colnago, secretário-executivo da pasta, para o lugar de Dyogo Oliveira, que vai para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nas contas do governo ainda terão mudanças onze pastas: Trabalho, Indústria e Comércio, que estão com cargos de interinos, Esportes, Turismo, Integração, Desenvolvimento Social, Educação, Ciência e Tecnologia, Minas e Energia, Fazenda e Meio Ambiente.

Marun negou hoje que a indicação de Esteves tenha sido um "nome do Jucá" e afirmou que a escolha "garante continuidade nos trabalhos do Planejamento". "A pessoa que foi ouvida de forma mais decisiva sobre nome do Planejamento foi o Dyogo", disse.

A escolha de Colnago para o Planejamento representa uma vitória do grupo de Dyogo e Jucá em relação a Meirelles, que tentava emplacar o secretário de Acompanhamento Fiscal da Fazenda, Mansueto Almeida, para o cargo. Segundo apurou Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, Oliveira defendeu a permanência de seu secretário-executivo sob o argumento de que a escolha dele dará sentido de continuidade aos trabalhos, já que Conalgo conhece bem o funcionamento da pasta e é funcionário público há mais de 20 anos. Havia a previsão de que Meirelles participasse da reunião deste domingo, mas ele não compareceu.

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