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Manifestações por prisão de Lula ganham as ruas do País

Marianna Holanda, Daniel Weterman, Roberta Jansen, Julio Cesar lima, Leonardo Augusto e Carmem Pompeu

São Paulo, 3

03/04/2018 22h47

Milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades brasileiras, nesta terça-feira, 3, para protestar contra a possível concessão do habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal. Em menor número, militantes também realizaram atos em defesa da liberdade do ex-presidente.

As manifestações mais numerosas foram realizadas em São Paulo, no Rio e em Curitiba, sede da 13ª Vara Federal, que condenou o petista por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá (SP).

Em São Paulo, o protesto, convocado por grupos que lideraram os atos de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff, se concentrou na Avenida Paulista e durou cerca de duas horas. De verde e amarelo, enrolados na bandeira do Brasil e com "pixulecos" - bonecos infláveis que retratam Lula com roupa de presidiário - nas mãos, os manifestantes entoavam gritos de "Lula na cadeia" e "Moro, Moro", em referência ao juiz Sérgio Moro. O ato obrigou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a fechar o tráfego nos dois sentidos em toda a extensão da avenida.

Integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) disseram que irão pedir impeachment de ministros do STF se a Corte conceder habeas corpus ao ex-presidente. Em discurso no carro de som, a líder do Vem Pra Rua, Adelaide Oliveira, questionou: "Dona Rosa Weber julgou 57 HCs e ela recusou todos. Será que ela vai ter a cara de pau de aceitar o do Lula?". O ministro Gilmar Mendes foi alvo de ataques: "Ele já conhecemos", disse Adelaide, "muda conforme o réu".

No Rio, a chuva não impediu que centenas de pessoas se reunissem na Avenida Atlântica. Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes entoaram músicas e gritos pedindo a prisão do petista, como "Lula na Papuda, o Brasil não é igual a Cuba" e "a nossa bandeira jamais será vermelha". Uma bandeira verde-amarela gigante onde estava escrito "Lava Jato" foi estendida.

A manifestação foi convocada pelo movimento Vem Pra Rua e chegou a ocupar as duas pistas da orla entre as ruas Xavier da Silveira e Miguel Lemos. O trânsito foi interrompido até as 21h. A manifestação de Copacabana não foi a única do Rio. Um outro ato reuniu cerca de mil pessoas, segundo a PM, em Icaraí, em Niteroi.

Em Curitiba, o grupo de manifestantes se reuniu em frente ao prédio da Justiça Federal. A manifestação também foi marcada por repetidas execuções do Hino Nacional, palmas para o juiz Sérgio Moro, pausas para orações e discursos nacionalistas.

Em Belo Horizonte, manifestantes a favor e contra a prisão de Lula realizaram protestos em duas praças distantes cerca de 800 metros uma da outra, ambas na região centro-sul da cidade. Na Praça da Liberdade, a manifestação foi realizada por grupos a favor da prisão de Lula. Já os apoiadores de Lula se concentraram na Praça Afonso Arinos. Os organizadores da manifestação não divulgaram estimativa de participantes.

Em Fortaleza, a manifestação que pedia a prisão de Lula foi realizada na Praça Portugal, no centro. Em Manaus, a Avenida Djalma Batista, uma das principais da capital amazonense, foi fechada por manifestantes contra a concessão do habeas corpus a Lula. O ato foi marcado por críticas ao líder petista e clamor aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Um dos manifestantes que tentou saudar o Regime Militar do alto do carro de som foi interrompido. Em Brasília, um temporal caiu na hora prevista para acontecer ato contra Lula. Nova manifestação está marcada para hoje.