Para Gilmar, haverá, por fim, respeito pela decisão do STF sobre HC de Lula

Célia Froufe, enviada especial

Lisboa

  • KEINY ANDRADE/FOLHAPRESS

Mesmo com a incompreensão em um primeiro momento, a opinião pública irá respeitar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do pedido de habeas corpus (HC) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse Gilmar Mendes, um dos ministros da Corte.

"Certamente haverá, num primeiro momento, esse tipo de incompreensão: um lado dirá que foi bem feito, que a decisão foi correta, e outro dirá que não foi correta e gerará críticas, mas em seguida haverá sentimento de acomodação e respeitar-se-á a decisão tomada pelo Tribunal", analisou Mendes em Lisboa.

Sobre movimentos declarados de jejum (do coordenador da força-tarefa da Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol) e assinatura de abaixo assinados em relação ao tema, o ministro disse que se tratam de ações que fazem parte do processo público. "Talvez tenha se tornado exageradamente público no Brasil", pontuou.

Ele lembrou que hoje se discute muito o televisionamento das sessões do STF, mas defendeu a continuidade da transmissão. "Eu acho inevitável que haja essa transmissão. Se não houvesse, vocês (jornalistas) estariam lá, transmitindo diretamente. Nossos julgamentos são públicos, isso já secularmente, esta é a nossa tradição. Não temos que evitar a transmissão, nós temos de melhorar é a nossa relação de comunicação, a informação do público", considerou.

Para Gilmar Mendes, todos "palpitam" sobre os casos em julgamento no STF. "Assim como falavam que tínhamos 200 milhões de técnicos de futebol, agora temos 200 milhões de juízes. Todos entendem de habeas corpus e discutem defesa, controle concreto, controle abstrato, em suma: isso era conversa de jornalista e virou de jornaleiro. Temos que conviver com isso", declarou.

Ele relatou também com ironia que um colega da Suprema Corte brinca que há um canal de televisão que é a "terceira turma" do STF, já que há um grupo de jornalistas que faz comentários sobre o que o Supremo deve decidir, sobre se errou, entre outros temas.

O ministro enfatizou que é preciso primeiro que as pessoas entendam do que se trata para depois emitirem opiniões. "Eu brinquei outro dia com a Folha de S.Paulo e fui mal interpretado quando disse que o jornalista também tem de ser alfabetizado. Não falei no sentido de ser letrado, mas no de se informar sobre o que está falando. Vemos essa polarização no Brasil em cima de análises muito superficiais. Temos que evitar isso", declarou.

Gilmar Mendes conversou com a imprensa na capital portuguesa, onde participa do "VI Fórum Jurídico de Lisboa - Reforma do Estado Social no Contexto da Globalização", organizado pelo seu Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Ele volta ainda nesta terça ao Brasil para participar da votação do HC de Lula no STF e retorna para Portugal na quinta-feira (5).

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