Topo

Programa 'Braços Abertos' se revelou 'totalmente inadequado', reage governo Doria

Luiz Fernando Teixeira e Luiz Vassallo

04/04/2018 17h33

A Prefeitura de São Paulo respondeu nesta quarta-feira, 4, em nota, o teor da decisão do juiz Randolfo Ferraz de Campos, da 14ª Vara de Fazenda Pública, que determinou a reabertura dos "hotéis sociais" do programa Braços Abertos, na região da Luz. O magistrado escreveu que o banimento das estruturas torna a política pública "comprometida e até mesmo inócua".

De forma enfática, a gestão João Doria reagiu. "Inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos do chamado programa De Braços Abertos. Diante das falhas graves de segurança e higiene dos hotéis e do fracasso da política de concessão de bolsas mediante realização de pequenas tarefas de zeladoria, o modelo da gestão anterior se mostrou totalmente inadequado para a efetiva recuperação dos dependentes químicos, que nunca deixaram de frequentar o fluxo", aponta a Prefeitura na nota.

De acordo com o pedido da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, os beneficiários voltaram para o "fluxo" das drogas porque "o atendimento alternativo ao hotel social, fornecido pela Prefeitura de São Paulo, além de insuficiente, pelo déficit de vagas, é pior do que aquele fornecido no âmbito do hotel social e não possui finalidade específica para a reabilitação psicossocial".

A prefeitura assinala que apenas 37 dos quase 300 beneficiários do programa trabalhavam de fato e que o "Braços Abertos" não recuperou nenhum dos participantes.

Além disso, segue o governo Doria, o fluxo dobrou de tamanho entre 2016 e 2017, de acordo com pesquisa patrocinada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e houve aumento de quarteirões na região da Luz com tráfico de drogas.

Leia a íntegra da nota:

"A Prefeitura esclarece que inócua era a suposta política de recuperação de dependentes químicos do chamado programa Braços Abertos. Diante das falhas graves de segurança e higiene dos hotéis e do fracasso da política de concessão de bolsas mediante realização de pequenas tarefas de zeladoria, o modelo da gestão anterior se mostrou totalmente inadequado para a efetiva recuperação dos dependentes químicos, que nunca deixaram de frequentar o fluxo. De quase 300 beneficiários do programa, apenas 37 trabalhavam de fato, comparecendo aos locais das tarefas em ao menos 75% dos dias. Além disso, o que se constatou, na prática, foi que a região da Luz teve quatro quarteirões tomados inteiramente pelo tráfico, que também se fazia presente nos hotéis. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, houve crescimento do número de consumidores de drogas na região, conforme comprovado por pesquisa patrocinada pelo PNUD. O chamado fluxo dobrou de tamanho: de cerca de 900 pessoas para mais 1800."