Topo

Eurasia: Evento e comunicação política de Lula foram eficazes

Fernanda Guimarães

São Paulo

07/04/2018 16h36

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou um meio termo entre a estratégia de armar um palco político em São Bernardo do Campo após o prazo estabelecido pelo juiz Sérgio Moro para que se apresentasse à Polícia Federal em Curitiba e a decisão de se entregar, evitando dificultar sua situação perante a Justiça. É o que diz o diretor executivo de risco e analista-chefe do Eurasia Group, consultoria política Internacional, Christopher Garman. Segundo ele, tanto o evento em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos como a comunicação política feita por Lula neste sábado, 7, foram eficazes.

Garman lembra que, apesar de não ter se apresentado na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba dentro do prazo estabelecido por Moro, Lula costurou um acordo para iniciar o cumprimento de sua pena, que deve começar neste sábado. O ex-presidente permaneceu desde quinta-feira à noite no Sindicato dos Metalúrgicos, seu berço político, e hoje falou pela primeira vez em público desde o mandado de prisão. O analista acrescenta que, no entanto, existia uma expectativa, principalmente entre os militantes do PT, de que Lula não se entregasse e esperasse prisão no sindicato, de forma a causar maior comoção ao público, o que não ocorreu. "Isso afundaria sua defesa jurídica. Apesar do discurso inflamado, Lula disse que aceitaria a decisão e buscou um meio termo", disse.

Com Lula preso, a capacidade de transferência de votos a outro candidato diminui. Garman reforça que a visão da Eurásia é de que a capacidade de transferência de votos por políticos costuma ser supervalorizada. Diante desse cenário, o diretor da Eurasia acredita que o pré-candidato do PDT à Presidência Ciro Gomes pode sair beneficiado e receber parte dos votos hoje concentrados no nome do ex-presidente Lula. "Ele poderia ganhar votos no Norte e Nordeste", avalia.