Popularidade leva a movimentos autoritários que depois desprezamos, diz Temer

Renan Truffi

Brasília

Com seu governo avaliado em ótimo ou bom por apenas 5% da população, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Ibope divulgada nesta semana, o presidente Michel Temer disse neste sábado (7) que a popularidade pode levar a movimentos autoritários e que o País foi "tomado pelo pessimismo".

"A popularidade, muitas vezes o que o povo quer, leva à crucificação de Cristo. A popularidade leva a movimentos autoritários que depois desprezamos. O País foi tomado nos últimos tempos de muito pessimismo, coisa que não é típica do brasileiro. Começou a haver divisão entre os brasileiros que não é útil para o País. Mania de falar mal do Brasil causa problemas para todos nós, no plano internacional", disse.

Por conta disso, Temer defendeu é preciso transmitir otimismo à população e que todos precisam se unir após as eleições presidenciais deste ano. O recado foi dado a uma plateia formada por varejistas, durante o Simpósio Nacional de Varejo e Shopping, em Foz do Iguaçu (PR).

"Precisamos mudar a cultura do Brasil e falar bem do Brasil para aqueles que vão comprar. Minha palavra é exatamente esta, é transmitir otimismo ao comprador. Queremos que haja paz no País. Pode haver disputas eleitorais. No momento que se segue à eleição, todos têm que se unir em prol do País", defendeu.

O presidente também reclamou da oposição ao seu governo, que, segundo ele, age apenas politicamente e não juridicamente. "Chegamos ao governo com uma oposição feroz e orgânica. A oposição tem uma organicidade extraordinária. Quando eu era vice-presidente, o governo (Dilma) viu a proposta do Ponte Para o Futuro como um gesto de oposição, quando na verdade era um gesto de colaboração. No Brasil, não temos conceito jurídico de oposição, só conceito político", afirmou.

Mais uma vez, o emedebista citou também a relação de seu governo com o Congresso Nacional. Segundo ele, em sua gestão, o Poder Legislativo deixou de ser um "apêndice". "Não é só governo que faz, governo faz começando por um diálogo com Congresso Nacional. Congresso deixou de ser uma apêndice do Executivo. Legislativo se tornou parceiro do Executivo. Isso é determinado pela Constituição. Somos autoridades exercentes do Poder. O poder não é nosso, é do povo", disse.

Ao final, Temer disse que pode sugerir uma proposta de semi-presidencialismo ao Congresso. "Eu exerci uma espécie de semi-presidencialismo. Se puder, um dia, eu apresento um projeto de semi-presidencialismo. Precisamos avançar para superar traumas institucionais que acontecem no presidencialismo", afirmou.

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