França mantém no governo de SP tesoureiro de Alckmin citado na Lava Jato

Fabio Leite

São Paulo

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), decidiu manter no primeiro escalão do seu governo o tesoureiro da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014 citado na Lava Jato. Marcos Monteiro deixou a Secretaria de Planejamento para substituir França no comando da pasta de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelas escolas técnicas, faculdades tecnológicas e universidades paulistas.

A nomeação de Monteiro mostra que França manterá no seu governo pessoas ligadas a Alckmin como um agrado ao ex-governador e estratégia para tentar dividir o PSDB nas eleições de outubro, quando ele disputará a reeleição ao governo tendo como um dos principais adversários o ex-prefeito da capital João Doria (PSDB), afilhado político de Alckmin. Na pasta de Planejamento, França colocou o jornalista Maurício Pinto Pereira Juvenal, seu braço direito e ex-chefe de gabinete no Desenvolvimento Econômico.

Outro tucano cotado a assumir cargo no primeiro escalão do governo França é João Cury Neto, do grupo político do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) no governo Alckmin, ele abriu mão de concorrer a deputado federal e deve assumir a Secretaria da Educação no lugar de José Renato Nalini.

Lava Jato

Marcos Monteiro foi apontado por três delatores da Odebrecht na Lava Jato como o responsável por receber R$ 8,3 milhões do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, o chamado "departamento da propina", para a campanha à reeleição de Alckmin em 2014, cuja chapa tinha França como vice.

Segundo os ex-executivos da Odebrecht, o então tesoureiro foi o destinatário dos pagamentos apontados nas planilhas da empreiteira ao lado dos codinomes "Salsicha", M&M" e "MM-Partido".

Os repasses ilícitos estariam vinculados aos contratos da empreiteira na Linha 6-Laranja do Metrô, paralisada hoje, e à construção de um emissário submarino da Sabesp em Praia Grande. Neste último negócio, o documento apresentado pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior à Força-Tarefa aponta pagamento de R$ 1,5 milhão a Monteiro no dia 5 de agosto de 2014. Os depoimentos e as planilhas foram divulgados há um ano por determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os delatores, Monteiro seria um dos principais arrecadadores de dinheiro para a campanha de Alckmin, ao lado do empresário Adhemar César Ribeiro, cunhado do ex-governador. Alckmin deixou o governo de São Paulo após mais de sete anos consecutivos no cargo para disputar a Presidência da República em outubro. França assumiu o comando do Estado em definitivo no último sábado, 7.

As denúncias da Odebrecht envolvendo Alckmin são investigadas em um inquérito que está sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Depois que o ex-governador perdeu o foro privilegiado por ter renunciado o mandato, a Força-Tarefa da Lava Jato em São Paulo requisitou o inquérito para investigar Alckmin na primeira instância do Judiciário paulista.

A assessoria de Marcos Monteiro afirmou, em nota, que o secretário "sempre afirmou que a gestão financeira da campanha de 2014 foi feita dentro da lei e todas as contas foram aprovadas pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral)".

A assessoria do governador Márcio França não comentou a permanência dele no cargo.

Trabalho

França também nomeou nesta quarta-feira o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino da Silva, para assumir a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho. Martinha, como é conhecido, é filiado ao Solidariedade e foi indicado pelo deputado federal Paulinho da Força.

O antecessor na pasta, José Luiz Ribeiro, também indicado por Paulinho no governo Alckmin, saiu para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Solidariedade.

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