Simpatizante do Bolsonaro, presidente do sindicato de delegados é critico a Lula

Marianna Holanda e Ana Neira

São Paulo

O presidente do sindicato dos delegados do Paraná, Algacir Mikalovski Taborda, que pediu nesta quarta-feira, 11, a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, participou de atos pró-impeachment, chamou apoiadores do petista de "bandidos e canalhas" e aparece ainda abraçado com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em fotos. Taborda foi candidato a vereador pelo PSDC em 2016, com o slogan "caçador de corruptos".

O sindicato divulgou uma nota na quarta pedindo que o ex-presidente seja transferido da carceragem da superintendência da PF em Curitiba, pois sua presença provoca "transtornos e riscos à população e aos funcionários".

O delegado compartilhou, em 26 de março, um vídeo do ato no qual Lula foi alvo de ovos no Sul - a legenda do vídeo é "ovada na cara do Luladrão". Taborda diz: "os vermelhos estão se protegendo. Alguém ainda ouve esse cidadão?"

Mais recentemente, em 9 de abril, compartilhou um vídeo no Facebook, de apoiadores de Lula, a quem chama de "bandidos e canalhas" praticando "crimes em prol de uma causa: ver um criminoso solto".

Em sua foto ao lado do Bolsonaro, publicada no Instagram em 2016, o delegado diz: "Bolsonaro apoiando a nossa PF". A imagem foi compartilhada em 4 de março, mesmo dia da deflagração da Operação Alethea, que teve alvo o ex-presidente Lula e seu filho, Fábio Luis Lula da Silva.

O presidente do sindicato discursou em cima de um carro de som, em um ato pró-impeachment, há dois anos. "O Brasil está em crise em razão de um grupo de bandidos que manda na Polícia Federal, que manda no poder, que tem o poder na mão", disse. O vídeo está em seu Facebook.

"A nossa bandeira é verde, amarela, azul e branca", concluiu sua fala, ovacionado pela plateia. Havia no carro de som uma faixa com os dizeres "Lula na cadeia".

No mês passado, Taborda também compartilhou imagens da vereadora Marielle, pedindo comoção também pelos policiais assassinados. Em 22 de março, ele questionou: "onde está a indignação da imprensa esquerdopata maldita? Até quando vamos enterrar nossos heróis e aceitar a glorificação dos ícones do malcaratismo e dos defensores da falta de vergonha e dos vagabundos?".

Postura

Na nota divulgada nesta quarta, o sindicato também pontuou que policiais da carceragem temem pela segurança de suas famílias. "Outros policiais federais e moradores estão informando, extra oficialmente, que temem pela segurança de suas famílias em face das ameaças e presença de tais manifestantes."

Segundo o texto, "há comprovados riscos à população que reside no entorno do prédio da PF, aos policiais federais e demais integrantes do sistema de segurança pública que moram nas imediações da Sede da Polícia Federal".

Após a divulgação da nota do sindicato na quarta-feira, o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luis Boudens, avaliou o pedido da entidade como "apressado e sem respaldo dos policiais federais". Se livrar de um problema, segundo disse, não é a postura mais adequada.

"Cada deslocamento gera custos para os cofres públicos e uma enorme demanda de pessoal, além de aumentar a possibilidade de confrontos e situações de embate entre grupos de apoiadores e de contrários ao ex-Presidente", afirmou Boudens.

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