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Delegados voltam a pedir transferência de Lula da PF

Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

São Paulo

27/04/2018 18h01

A Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal pediu à Superintendência Regional da PF no Paraná que remova o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para "outro local que não ofereça risco, além de transtorno à população e aos funcionários e rotina de trabalho". Lula está preso desde o dia 7 em uma "sala especial" no último andar do prédio da PF em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Na primeira semana do petista na PF, o Sindicato dos Delegados da PF pediu a transferência de Lula, sob o mesmo argumento - tumultos que a presença do ex-presidente tem causado em Curitiba e na própria sede da PF.

Nesta sexta-feira, 27, a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) divulgou nota de "apoio à iniciativa do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Estado do Paraná que solicitou, via oficio, à Superintendência da Polícia Federal no Paraná, a adoção de medidas para a transferência do réu condenado Luiz Inácio Lula da Silva para outro local que não ofereça risco, além de transtorno à população e aos funcionários e rotina de trabalho da SR/PR".

A nota é subscrita pela presidente da Federação, Viviane da Rosa.

Lula cumpre pena de 12 anos e um mês de reclusão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá. Desde que o petista chegou a Curitiba, o entorno do prédio-sede da PF virou uma praça de guerra, com manifestações de grupos a favor e contra o ex-presidente.

Lula está isolado, em sua "sala especial", com TV, a alguma distância da Custódia, onde estão presos antigos aliados, hoje acusadores do ex-presidente, como o empresário Léo Pinheiro, da OAS, e o ex-ministro Antônio Palocci (Casa Civil e Fazenda/Governos Lula e Dilma).

"A Fenadepol ressalta que nossas unidades são dotadas de Núcleos de Custódia que, como a própria denominação indica, não são estabelecimentos prisionais", diz o texto da entidade. "Servem apenas para custódias temporárias e não para a efetivação da prisão de réus já condenados, como é o caso em pauta. Assim reafirmamos a necessidade de prontas medidas que sanem o problema e previnam a possibilidade de outros danos."