Marina se compromete contra 'vale-tudo' eleitoral na internet

Isadora Peron

Brasília

A ex-ministra Marina Silva foi a primeira pré-candidata à Presidência a aderir a um movimento que propõe o "uso ético da tecnologia" durante a eleição. Sob o slogan "Não Vale Tudo", organizações da sociedade civil elaboraram uma carta-compromisso para tentar evitar o jogo sujo eleitoral, especialmente na internet.

O documento foi organizado pelos institutos AppCivico, Idec, Internet Lab, Instituto Tecnologia & Equidade, Instituto Update, Transparência Partidária e Open Knowledge Brasil.

Segundo Ariel Kogan, da Open Knowledge Brasil, até agora, apenas Marina procurou o movimento para endossar a iniciativa, mas o objetivo é que outros políticos também se comprometam publicamente com a ideia. Para isso, explica, basta que os pré-candidatos divulguem a carta em suas redes sociais, como fez a presidenciável da Rede.

"Assumo novamente o compromisso de fazer uma campanha ética, sem fazer uso da violência ou mentiras contra os adversários. A forma como se ganha determina a forma como se governa. #NãoValeTudo para ganhar uma eleição!", disse a ex-ministra, que já concorreu duas vezes ao Palácio do Planalto, pelo Twitter.

EUA

A carta elaborada pelas organizações cita os casos da eleição dos Estados Unidos, a saída do Inglaterra da União Europeia e as discussões sobre o acordo de paz na Colômbia para mostrar que as ferramentas virtuais podem ser utilizadas de diferentes maneiras e com diferentes objetivos.

"Estes exemplos recentes nos preocupam, pois indicam que atividades como a coleta e o uso indevido de dados pessoais para direcionamento de propaganda, o uso de robôs e perfis falsos para simular movimentos e posicionamentos políticos e métodos de disseminação de informações falsas podem ter efeitos significativos nos direitos de acesso à informação, liberdade de expressão e associação e de privacidade de todas e todos nós", afirma o texto.

Entre os princípios desenhados estão o combate à produção e disseminação de notícias falsas, à criação e uso de perfis falsos, e a sugestão de que os candidatos deveriam prestar contas do uso de tecnologias durante a campanha, dando publicidade sobre quais softwares, aplicativos e serviços de análise de dados foram utilizados.

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