Falta vacina contra tuberculose em maternidades particulares

Renata Okumura

Essencial para a proteção contra a tuberculose em recém-nascidos, a vacina BCG está em falta em maternidades e centros de imunização particulares da cidade de São Paulo.

As maternidades Pro Matre Paulista e Santa Joana informam às pacientes que há um mês e meio está sem a vacina. As instituições aconselham às mães a procurar a rede pública de saúde nos 30 primeiros dias do nascimento do bebê para que a imunização seja realizada.

No fim de 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a produção da vacina BCG da Fundação Ataulpho de Paiva após inspeção apontar indícios de falhas nas chamadas 'boas práticas', adotadas durante o processo de fabricação.

A entidade não retornou à solicitação da reportagem, mas no site institucional informa que, de 29 a 31 de janeiro deste ano, a vigilância sanitária inspecionou a unidade fabril de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e concluiu que ela se encontra em condições técnico-operacionais para a produção da vacina BCG e do Imuno BCG 40mg. "Desta forma, após a respectiva publicação, retomaremos o processo de fabricação, devendo o Imuno BCG 40mg ser liberado para comercialização em meados de maio deste ano", destacou a nota. O espaço permanece aberto para posicionamento da fundação.

Em nota, as maternidades informam que voltarão a oferecer a vacina BCG assim que o abastecimento for normalizado.

Centro particulares

Centros de imunização particulares da capital paulista, como Fleury, Pró-Imune e Centro de Imunização do IPGO, também não estão oferecendo a vacina BCG. Em todas as unidades, o valor era de R$ 70, mas a vacina está em falta por problemas de produção.

Além do fornecimento comprometido, o fato de um frasco com dez doses precisar ser usado em apenas seis horas, depois de aberto, também é uma barreira para a rede particular. Segundo atendentes, que preferiram não se identificar, muitas vezes duas ou três doses são aplicadas em recém-nascidos e o restante é descartado.

A Sociedade Brasileira de Pediatria esclarece que o desabastecimento na rede privada não é incomum, geralmente acontece em períodos de mais demanda e menor produção. A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do Sistema Único de Saúde (SUS) para a vacinação.

O Ministério da Saúde esclarece que na rede pública de saúde a distribuição da vacina BCG está regular em todo o País.

Este ano, já foram enviadas mais de 5,4 milhões de doses a todos os Estados. "É importante ressaltar que a distribuição de vacinas é realizada mensalmente pelo Ministério da Saúde, de acordo com a solicitação feita pelos Estados. Cabe ainda aos próprios Estados, uma vez abastecidos, fazer o repasse aos respectivos municípios, sendo estes responsáveis pelo abastecimento de suas respectivas salas de vacinação", ressaltou a nota.

A pasta esclarece que distribui imunobiológicos apenas para a rede pública de saúde. Hospitais e clínicas da rede privada compram vacinas diretamente de laboratórios fornecedores.

O laboratório nacional Ataulpho de Paiva é o fornecedor da vacina BCG ao Ministério da Saúde. Em 2016, a pasta adquiriu deste laboratório 10 milhões de doses da vacina BCG. Devido à readequação do Ataulpho de Paiva às normas de 'boas práticas' da Anvisa e, para não haver desabastecimento da vacina BCG na rede pública de saúde, em 2017, o ministério importou 9 milhões de doses do laboratório indiano Serum.

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo informa também que as crianças nascidas nas maternidades públicas da cidade recebem a dose da vacina BCG antes da alta hospitalar, portanto, a demanda nas unidades de saúde é baixa.

O atendimento nas UBSs acontece por meio de agendamento, com o objetivo de otimizar a utilização do conteúdo do frasco, que possui validade de seis horas após a abertura da embalagem. Em algumas unidades, há dias específicos na semana para a aplicação da vacina.

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