Marun diz que prorrogação de inquérito dos Portos é 'perseguição' contra governo

Renan Truffi e Tânia Monteiro

Brasília

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, classificou de "perseguição" a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), de negar o pedido da defesa do presidente Michel Temer (MDB) para arquivar as investigações que apuram suspeitas de irregularidades em torno do decreto dos Portos. Barroso foi além, atendeu ao pedido da Polícia Federal e prorrogou a apuração por mais 60 dias.

"Espero que não tenha sido esse (fazer o governo sangrar) o objetivo (do STF), apesar de desconfiar disso. Qualquer pedido de prorrogação desse inquérito deveria vir acompanhado do artigo onde a tal empresa foi beneficiada. Como eu acredito que isso não tenha acontecido, até porque já li esse decreto, eu entendo que isso é mais um capítulo dessa perseguição disfarçada de inquérito", afirmou em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

A defesa do presidente havia solicitado o arquivamento do inquérito em janeiro deste ano, um dia depois de Temer responder por escrito às 50 perguntas formuladas pela Polícia Federal na investigação que tramita na Corte sobre o decreto dos Portos e apura um possível favorecimento ao Grupo Rodrimar, do setor portuário de Santos.

Os advogados do presidente alegam que a Rodrimar não foi favorecida, "não havendo, por consequência, ilícito de nenhuma espécie". Em sua decisão, Barroso destacou que a procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, se posicionou contra o pedido de arquivamento, e concordou com o entendimento da PGR de que é necessário aguardar-se a conclusão das diligências em andamento "para que se possa formar opinião sobre a existência material dos delitos investigados".

Barroso também negou um pedido formulado pela defesa do ex-assessor do Planalto José Yunes. Yunes queria acesso ilimitado aos autos de todas as ações cautelares relacionadas ao inquérito. Em manifestação encaminhada ao STF na semana passada, Raquel Dodge alertou que o acesso integral aos autos neste momento "deve ser evitado para não comprometer o desenvolvimento das investigações".

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