Sergio Brasil desejava 'propina em dinheiro, espécie', diz Promotoria

Julia Affonso e Fausto Macedo

São Paulo

Na denúncia contra o ex-dirigente do Metrô de São Paulo Sérgio Brasil por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o Ministério Público de São Paulo afirma que o executivo "desejava receber os valores da propina em dinheiro, espécie". Brasil é acusado de receber propina de R$ 2,5 milhões da empreiteira Camargo Corrêa sobre as obras da Linha 5-Lilás, do Metrô.

Segundo a denúncia, a empresa "lhe relatou da sua impossibilidade contábil para gerar os recursos nestas condições (em dinheiro)". Os valores, afirma o promotor Marcelo Mendroni, foram transferidos por meio de dois contratos simulados entre a Camargo Corrêa e a empresa AVBS, de Gilmar Alves Tavares - também alvo da denúncia, por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

"Assim que, para viabilizar o pagamento da vantagem indevida a Sergio Correia Brasil, ficou estabelecido que haveria um contrato ou mais contratos de prestações de serviços simulados - com pagamentos sem efetiva contrapartida de prestação de serviços, entre a CCCC e a empresa indicada por ele - Sergio Correa Brasil, denominada AVBS", registrou a Promotoria.

O Ministério Público de São Paulo afirma que "a AVBS não prestou qualquer serviço à CCCC". Sérgio Brasil foi delatado pelos executivos Jorge Yazbek e Eduardo Maghidman, da Camargo Corrêa.

"Jorge Yazbek disponibilizara a Gilmar Tavares um arquivo eletrônico contendo relatório preparado pela própria CCCC que, de fato, tinha realizado os estudos de viabilidade do Trevo de Jundiaí. Este documento foi parcialmente editado e entregue pela própria CCCC à AVBS, já com o timbre da AVBS para viabilizar uma possível justificativa em caso de eventual questionamento, se as evidências viessem ao conhecimento das Autoridades Públicas Investigadoras", narra o promotor.

"Depois de receber os valores do contrato simulado, a AVBS pôde fazer saques de valores expressivos em dinheiro para serem entregues a Sergio Correa Brasil."

Defesas

"O Governo do Estado de São Paulo e o Metrô são vítimas dos crimes investigados pelo Ministério Público. Por isso, colaboram com o processo analisando as cláusulas da proposta de delação em suas condições jurídicas, financeiras e técnicas, para que sua homologação garanta a proteção do interesse público. A Procuradoria Geral do Estado investiga o caso e irá solicitar ressarcimento aos cofres públicos frente comprovação das irregularidades".

"O Metrô é o maior interessado na apuração das denúncias de formação de cartel ou de conduta irregular de agentes públicos e, assim, continua à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Cabe salientar ainda que Sérgio Corrêa Brasil não é mais funcionário da Companhia desde dezembro de 2016."

A reportagem está tentando localizar os denunciados Sérgio Brasil e Gilmar Tavares. O espaço está aberto para as manifestações.

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