Papéis mostram mudança na política externa dos EUA

Marcelo Godoy

São Paulo

Documentos desclassificados do Departamento de Estado dos EUA mostram que as violações dos direitos humanos em países estrangeiros aliados passaram a preocupar a diplomacia americana na primeira metade dos anos 1970, ainda nas gestões republicanas de Richard Nixon e Gerald Ford.

A questão se tornou um problema central nas relações exteriores dos EUA após duas modificações no "Foreing Assistance Act" (a lei que regula a concessão de ajuda americana a países estrangeiros): a "Cranston-Humphrey Amendment" e a "Harkin Amendment". Feitas pelo Congresso dominado pelos democratas, elas proibiam assistência militar e a concessão de ajuda financeira a governos que desrespeitassem os direitos humanos.

Para liberais, a questão garantia um componente moral e ético à política externa americana. A pressão deles aumentou após a derrubada do governo de Salvador Allende, no Chile, em 1973. "Por que devemos dar armas a tiranos que submetem os seus povos?", questionava o senador democrata Alan B. Cranston. Para seu colega, o democrata Hubert Humphrey, os EUA não podiam ajudar o regime de Augusto Pinochet.

Enquanto isso, para os republicanos, os direitos humanos serviam para condenar a União Soviética e os comunistas.

Dos 88 documentos de 1969 a 1976 liberados pelo Departamento de Estado sobre o Brasil, seis tratam especificamente sobre direitos humanos no regime militar, todos produzidos depois de 1974. O primeiro foi o memorando do diretor da CIA, William Colby, para o secretário de Estado, Henry Kissinger, sobre violações de direitos humanos durante o governo de Ernesto Geisel - que, revela que o ex-presidente brasileiro autorizou a execução de "subversivos perigosos" .

Os outros cinco estão relacionados ao "Foreing Assistence Act". O último é de 1976 e faz uma análise sobre como os EUA deviam votar no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre um empréstimo de US$ 8 milhões ao Brasil.

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