Alimentos desaparecem das prateleiras dos supermercados

Douglas Gavras e Raquel Brandão

São Paulo

A busca pela batata ocupou parte da manhã de sábado de Jane Oliveira, de 39 anos. Foram quatro supermercados na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, até encontrar o produto. "Ainda assim, não está do jeito que eu costumo comprar. Mas comecei a vender batata frita quando perdi o emprego de empregada doméstica, há dois meses. Compro porque preciso."

A normalização do abastecimento dos supermercados ainda poderia levar de 5 a 10 dias mesmo com o desbloqueio de estradas, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em nota, a entidade informou que ainda não estimou as perdas e prejuízos com a paralisação de caminhoneiros. Como a maioria dos supermercados trabalha com estoque médio de não perecíveis, a falta no abastecimento está concentrada nos perecíveis.

Além da batata, a cebola, o tomate e as verduras estão entre os produtos que o consumidor mais sentia falta na manhã de sábado, 26. Em uma outra loja da Rua Domingos de Morais, no mesmo bairro, as hortaliças já tinham acabado desde sexta-feira. No freezer em que elas costumam ficar guardadas, o lojista colocou garrafas de suco de laranja, para preencher parte do espaço vago.

O matemático Luiz Xavier, de 55 anos, faz as contas: "Se eu levar mais um pacote de arroz, fico tranquilo para os próximos dias". Ele, que vai todos os sábados ao supermercado, diz que o movimento aumentou ontem e que as pessoas parecem estar exagerando nas compras. "Sempre que tem uma ameaça de falta de produtos, as pessoas reagem estocando alimento em casa, o que só faz acelerar a escassez. Eu vou continuar comprando o que costumava levar, lembro bem do desabastecimento do Plano Cruzado (em 1986)."

O baixo movimento desanimou os feirantes do "varejão" da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). O sábado, que costuma ser o dia mais movimentado, foi mais curto e muitos feirantes não foram embora antes do fim da feira. Eles estimam que metade das barracas nem abriram e o movimento caiu entre 60% e 70%.

"Domingo, nem venho", diz o florista Edson Okita, de 43 anos, há mais de 30 na feira da Ceagesp. "Nunca vi um movimento tão fraco, a gente está ficando sem estoque e o consumidor também sumiu."

A falta de combustível também afetou o dinâmica nos estacionamentos. Em três deles, na região da Avenida Paulista, o número de clientes caiu entre 40% e 60% desde ontem. "Os próximos dias devem ser ainda mais fracos. A gente conversa com os poucos clientes que aparecem e eles dizem que já estão quase sem gasolina."

A maioria das 15 pessoas que a confeitaria DEF emprega na zona leste de São Paulo não deve ir trabalhar na segunda-feira. Um dos sócios da empresa, Eduardo Dini Fracaro, diz que eles costumavam fabricar mil bolos por semana, mas as encomendas já estão comprometidas. "Não temos mais recebido leite e ovos. Estamos com três carros parados, por falta de combustível."

Flores. A paralisação dos caminhoneiros também atingiu as floriculturas. Segundo relatos de comerciantes, a oferta e diversidade de flores na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, a Ceagesp, diminuiu bastante nos últimos dias. Dona de uma floricultura no bairro Itaim Bibi, Júlia Junqueira de Moraes faz compras às segundas-feiras à noite e de madrugada todas as quintas-feiras. Nesta semana, o segundo dia de compra foi bem diferente. "Muito produtor faltou, especialmente quem é pequeno. Faltou variedade de plantas e alguns preços subiram."

A flor astromélia, que normalmente custa entre R$ 8 e R$ 10 estava sendo vendida a R$ 16. Também florista, Kika Levi, que tem uma floricultura no bairro da Vila Madalena, anunciou para os clientes pelo perfil do Instagram de sua loja que poucos pedidos seriam atendidos por conta da greve. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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