Plano de negócio substitui velho TCC

Tulio Kruse, especial para a AE

São Paulo

Quando resolveu se matricular no curso de Administração, há quatro anos, Elaine Cabrini, de 40 anos, não tinha a menor intenção de se tornar empreendedora. Com um diploma em Pedagogia, seu objetivo era terminar a segunda graduação e se dedicar à carreira acadêmica, principalmente a lecionar. Foi isso que ela respondeu aos professores que lhe perguntaram sobre suas metas de vida, na primeira semana de aula. Os planos de Elaine, porém, mudaram rapidamente.

"Comecei a enxergar, na possibilidade de empreender, justamente uma alternativa em relação àquele emprego tradicional", conta. Já no primeiro ano da faculdade, em meio às aulas, ela teve uma ideia de negócio e começou a pensar em como abrir a própria startup - empresa de rápido crescimento, geralmente com base em inovação e tecnologia.

Na Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), onde estuda, é um caso comum. No lugar dos tradicionais Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), os alunos devem propor a criação de uma startup. No caso de Elaine, a ideia é usar um aplicativo de celular para melhorar os resultados de buscas em sites de compras online.

Como o protótipo não está completamente pronto, e ajustes devem ser feitos até a apresentação final à banca avaliadora, em outubro, ela preferiu não dar mais detalhes sobre a proposta. "Partimos de um problema que enfrentávamos como consumidores", diz Elaine.

Estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o Brasil tem a segunda maior porcentagem de empreendedores estudantis entre 13 países pesquisados.

A entidade mediu a proporção de empreendedores que fundam as startups até quatro anos após começarem a graduação. Neste quesito, o País só perde para o Canadá e está entre as quatro nações do mundo que têm mais de 10% de estudantes universitários entre os fundadores de startups.

Ensino básico

O incentivo ao empreendedorismo e à criatividade já não é exclusividade das universidades. A Fiap, que também tem a própria escola de ensino básico na Vila Olímpia, na zona sul de São Paulo, também aplica metodologias similares em aulas para os ensino fundamental 2 (6.º ano ao 9.º ano) e no ensino médio. Os estudantes têm de propor projetos para resolver problemas reais.

Como na universidade, as propostas dos adolescentes do ensino médio são avaliadas por empresários e investidores. "O que tentamos fazer com isso é não matar a criatividade das crianças e introduzir questões de lógica, atualidades, a vida digital, ética", diz o professor da Fiap Guilherme Pereira. "Quando você tem um aluno de ensino médio e consegue empoderá-lo com ferramentas, a capacidade criativa dele compensa a visão de negócio que um aluno de graduação ou pós tem. De alguma forma, a proposta de negócio muitas vezes é tão inovadora quanto a outra."

Alguns professores, porém, acreditam que essa tendência ainda é tímida na educação. "Isso não está acontecendo de forma homogênea. Infelizmente percebo que a maioria dos cursos está com um modelo bem tradicional", diz o coordenador do curso de Administração da Fiap, Cláudio Carvajal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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