Brasileiros criam ação social em abrigos de NY

Isabela Palhares

São Paulo

Desempregada e sem lugar para morar, Kymalekah Divine, de 50 anos, viu no abrigo de Nova York, onde vive há um ano, um aviso oferecendo vagas para professores de Inglês. Apesar de já ter experiência na área, acreditou que não conseguiria o emprego. Ela não sabia é que a empresa procurava exatamente pessoas como ela: mulher, sem-teto, com muita experiência de vida e vontade de compartilhar conhecimentos.

"Já havia procurado emprego em várias áreas e tinha sido rejeitada. Não podia acreditar que voltaria a trabalhar no que mais gosto: ensinando", conta. Ela foi uma das 20 tutoras selecionadas para dar aulas de conversação em inglês para estrangeiros na plataforma Soulphia. A empresa foi fundada pelos brasileiros Tiago Noel Souza, de 30 anos, e Felipe Marinho, de 40.

Os dois mudaram para os Estados Unidos para estudar e se conheceram em um projeto voluntário para moradores de abrigos. "Ficava aquela sensação de que poderia fazer mais por aquelas pessoas", conta Souza.

Com o apoio de ONGs e instituições de ensino, como a Universidade Columbia, eles firmaram uma parceria com um dos abrigos para selecionar e capacitar mulheres que poderiam ser tutoras - cada aula tem 45 minutos e é feita por videochamada. Elas custam entre R$ 40 e R$ 60 - 80% é pago às professoras.

A plataforma tem cerca de 300 alunos inscritos, a maioria brasileiras entre 30 e 45 anos. "Elas buscam mais educação e qualificação do que homens, mas, nesse caso, acho que são maioria nas aulas porque também se importam mais com o outro", afirma Souza.

A psicóloga Patrícia Schuindt, de 30 anos, começou a fazer as aulas em novembro para ganhar confiança ao falar inglês. "A aula é muito focada nas conversas. Elas corrigem e me ajudam a treinar alguns sons que eram difíceis de falar."

Todas as professoras fizeram curso para se adaptar à metodologia, aprender a usar os equipamentos e identificar dificuldades dos alunos. Para as aulas, são estabelecidos roteiros de conversa - normalmente temas atuais, como imigração e machismo. "Agora sei que meu lugar é dando aula. Amo ensinar, gosto do contato com os alunos mesmo que seja por um computador. Essa troca me fortaleceu muito", diz Kymalekah. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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