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Operação Lava Jato

Witzel diz que pedirá auditoria de todos os contratos do governo do Rio

Jose Lucena/Futura Press/Folhapress
Imagem: Jose Lucena/Futura Press/Folhapress

Marcio Dolzan

Rio

29/11/2018 14h23

  • Governador do Rio, Pezão foi preso nesta quinta em operação da PF
  • Vice, Francisco Dornelles assume o governo do Rio
  • Para PGR, há indícios de que Pezão recebeu propina  durante governo
  • Pezão ficará detido em sala especial da prisão da PM em Niterói
  • Futuro governador, Witzel diz que prisão não afetará transição

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou nesta quinta-feira, 29, que a prisão do atual governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (MDB), deve ter ocorrido a partir de "fundamentos suficientes". Ele declarou ainda que, assim que assumir, irá pedir auditoria de todos os contratos do governo.

"Certamente faremos auditoria dos contratos. Vamos auditar todos os contratos, de todas as áreas, sem paralisar o governo", prometeu Witzel.

Ex-juiz federal, o futuro governador destacou que desconhece o processo que levou à prisão do atual governador. "Agora, conheço o ministro Felix Fischer", pontuou, em referência ao magistrado que autorizou a prisão. "Ele tem elevado conhecimento político e senso de justiça. Se o ministro Felix Fischer decretou a prisão, ele o fez com fundamentos suficientes", explicou.

Witzel disse ainda que a operação da Polícia Federal não atrapalha a transição de governo. "Cabe a nós continuar a transição de forma que a gente consiga preparar tudo para o dia 1º de janeiro. Não atrapalha a transição. Acabei de receber um telefonema do (vice) governador Dornelles, me chamou pra conversar, nós já conversamos outras vezes."

O pedido de prisão preventiva --sem prazo-- foi feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge. De acordo com as investigações, Pezão "integra o núcleo político de uma organização criminosa que, ao longo dos últimos anos, cometeu vários crimes contra a administração pública, com destaque para a corrupção e lavagem de dinheiro".

O UOL ainda não conseguiu contato com a defesa do governador. Em citações anteriores, Pezão sempre negou as acusações.

O governador foi alvo de um dos nove mandados de prisão preventiva. A PF também cumpriu outros 30 de busca e apreensão dentro da operação "Boca de Lobo" no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

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Pezão teria recebido mais de R$ 25 milhões entre 2007 e 2015, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República). O valor --que, corrigido pela inflação, passa de R$ 39 milhões-- seria incompatível com o patrimônio declarado pelo governador à Receita. A PGR pediu o sequestro de R$ 39 milhões de bens de Pezão. 

Ao solicitar a prisão do governador, a procuradora-geral mencionou que Pezão foi secretário de Obras e vice-governador de Sergio Cabral (MDB) entre 2007 e 2014, "período em que já foram comprovadas práticas criminosas". Cabral está preso desde 2016.

Dodge, porém, aponta que haveria uma nova descoberta: Pezão teria operado um "esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros?.

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