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Bolsonaro faz defesa de trocas no Fisco e volta a dizer que é alvo de 'devassa'

O presidente Jair Bolsonaro - Reuters
O presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reuters

Breno Pires e Mateus Vargas

Brasília

21/08/2019 07h53

O presidente Jair Bolsonaro defendeu ontem em jantar no Palácio da Alvorada com ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) e a cúpula do governo, mudanças na estrutura na Receita. Segundo o relato de dois participantes do encontro, o presidente citou a necessidade de substituição de servidores do Fisco ao tratar de "problemas" e "dificuldades" em relação ao órgão.

Bolsonaro voltou a reclamar publicamente que a Receita Federal está fazendo uma "devassa" na vida dele e de familiares. A pressão por mudanças no órgão também parte de integrantes do Supremo Tribunal Federal e do TCU, que acusam auditores fiscais de agirem com interesses políticos.

Na segunda-feira, 19, o "número 2" do Fisco, João Paulo Fachada, foi exonerado do cargo pelo secretário especial, Marcos Cintra, por ter resistido a demitir delegados da Receita no Rio de Janeiro. Um dos presentes ao jantar no Alvorada disse ao jornal O Estado de S. Paulo que, ao falar da necessidade de mudanças na Receita, o presidente citou o caso dos servidores do Rio.

No sábado, o delegado da Receita José Alex Nóbrega, responsável pela fiscalização no Porto de Itaguaí (RJ), compartilhou uma mensagem entre colegas afirmando que havia interferência de "forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização".

Bolsonaro também citou como uma "solução institucional" a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Banco Central, definida por medida provisória editada anteontem.

Além de Bolsonaro e ministros do TCU, participaram do jantar sete ministros do governo.

PGR

Em outro momento do jantar, segundo os presentes, o presidente foi questionado sobre quem será o novo procurador-geral da República. A resposta foi que o anúncio não sairá antes do dia 7 de setembro.

Ainda de acordo com os relatos, Bolsonaro afirmou que não adianta ter um procurador-geral que seja "nota 10" em alguns quesitos, mas que seja "nota 4" em outros. Para ele, melhor um "nota 7" em tudo.

Um dos participantes do jantar disse para a reportagem que o presidente destacou como prioridade do futuro chefe do Ministério Público Federal destravar a pauta ambiental, e não necessariamente o combate à corrupção.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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