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Bombeiros mortos em incêndio em boate do rio serão enterrados neste sábado

Mariana Durão

Rio

19/10/2019 11h33

Os três bombeiros mortos na última sexta durante o combate um incêndio na uisqueria Quatro por Quatro, no centro do Rio, serão sepultados na tarde deste sábado, 19. De acordo com a corporação, as vítimas são o sargento Geraldo Ribeiro e os cabos José Pereira e Klerton de Araújo.

O primeiro será sepultado no mausoléu dos bombeiros no Cemitério do Caju, às 16h. Já os corpos do cabo Klerton e do cabo José Pereira serão enterrados às 16h15 e às 16h45, respectivamente, no Jardim da Saudade de Sulacap.

O Corpo de Bombeiros confirmou que dos outros três integrantes da corporação que precisaram de socorro médico, dois continuam hospitalizados: o capitão Davi Mont'Serrat e o sargento Magalhães, que está em estado gravíssimo. Ambos estão no Hospital Central Aristarcho Pessoa, hospital da corporação. O capitão Thiago Agostinho Dias recebeu alta hoje pela manhã.

O fogo começou por volta das 11h30 de sexta-feira, 18. O antigo casarão onde funcionava a Quatro por Quatro - que se apresentava como "spa para homens" e tinha muitas funcionárias mulheres -, estava vazio, e o fogo foi rapidamente controlado num primeiro momento. A Rua Buenos Aires, no trecho entre a Avenida Rio Branco e a Rua da Quitanda, foi interditada pelos bombeiros, e os prédios ao lado, evacuados. A fumaça tomou a Avenida Rio Branco, e ruas próximas.

Na manhã deste sábado a Rua Buenos Aires continuava interditada pela Defesa Civil na altura da Quatro por Quatro, no número 44. Dois carros do Corpo de Bombeiros e uma ambulância permaneciam posicionados no local, que passava por uma perícia da Polícia Civil para determinar as causas do incêndio por volta das 9h. O caso está sendo investigado pela 1ª DP.

Em paralelo a isso, o Corpo de Bombeiros abriu uma sindicância para esclarecer o caso. Mais de 70 militares de 14 unidades participaram do combate às chamas e evacuação das vítimas, com apoio de 30 viaturas. As condições estruturais do imóvel serão avaliadas pela Defesa Civil.

O incêndio envolveu a região em fumaça, que chegou à Igreja da Candelária. O tráfego do VLT chegou a ser parcialmente interrompido.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Roberto Robadey, disse no fim da tarde de ontem que os bombeiros mortos e feridos inalaram muita fumaça. Os militares, segundo ele, teriam sido surpreendidos por uma rápida mudança em um incêndio simples, que parecia sob controle, mas subitamente recrudesceu. Os bombeiros teriam sido sufocados porque o imóvel, antigo, tinha muitas divisórias, o que dificultou a saída rápida. Em nota, a corporação informou que será aberta uma sindicância para apurar o que ocorreu.

Extraoficialmente, em grupos de bombeiros em redes sociais, circulou a versão de que o fogo já estava controlado, na fase de rescaldo e, por isso, os soldados circulavam no prédio sem equipamento de proteção. Segundo essa versão, teria havido uma explosão por gás, o que o Corpo de Bombeiros não mencionou. Nas proximidades, não foi ouvido barulho de detonação ao longo do dia. Outra versão destacava que a queima de material de isolamento acústico teria gerado gases tóxicos.

Trabalhadores das empresas que funcionavam nas imediações permaneceram no local para acompanhar o trabalho dos agentes contras as chamas. Quatro caminhões e outros três veículos dos Bombeiros foram mobilizados para apagar o incêndio. Depois do incidente que resultou nas mortes, a fumaça negra aumentou, indicando que o fogo aumentara.

O Corpo de Bombeiros informou que a boate tinha alvará de funcionamento e estava com a documentação em dia.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), decretou luto de três dias no Estado. "Quero manifestar meu pesar. Foram heróis que perderam suas vidas cumprindo o seu dever. Ordenei rigorosa apuração de todos os fatos que ocorreram durante o combate ao incêndio e que resultaram nesta tragédia. Presto solidariedade às famílias das vítimas. Que Deus os receba e abençoe", disse o governador em nota oficial.

Cotidiano