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Alerj vai investigar deputados que bateram boca e quase brigaram no plenário

Caio Sartori

Rio

23/10/2019 20h12

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) decidiu na tarde desta quarta-feira, 23, investigar administrativamente os deputados Alexandre Knoploch, do PSL, e Eliomar Coelho, do PSOL. Os dois discutiram asperamente em uma sessão no último dia 11, e teriam trocado ofensas no Plenário da Casa. Eles se acusam mutuamente de agressão verbal. Outros deputados e seguranças intervieram para evitar que os dois colegas entrassem em confronto físico. As punições podem ir de advertências até à perda dos mandatos.

O deputado do PSL teria atacado Eliomar com ofensas envolvendo a idade do psolista, que tem 78 anos. O oposicionista teria reagido à menção, por Knoploch, de sua suposta movimentação financeira detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Knoploch também teria insinuado que o oposicionista protagonizara um "caso severo de doença psiquiátrica".

Eliomar afirma que apenas reagiu aos ataques do deputado do PSL. Ele diz que estava sentado no plenário quando foi atacado de maneira "violenta e grosseira" por Knoploch. Interpelou-o então duramente e foi contido por colegas. Por isso, a discussão do comportamento do psolista foi incluído na reunião do Conselho desta quarta-feira. Inicialmente, apenas o procedimento de Knoploch estava pautado.

O relator da investigação - que vai apurar a ação do dos dois parlamentares no incidente - será Max Lemos (MDB). Caberá a ele aprofundar a análise do incidente.

Também estava na pauta do Conselho, presidido por Martha Rocha (PDT), uma reclamação contra o deputado Rodrigo Amorim (PSL), mas ela foi arquivada. O caso envolvia um incidente na sede do Colégio Pedro II, há duas semanas. Amorim se dirigiu à instituição, com o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) a pretexto de "inspecioná-la". O parlamentar estadual entrou na escola, que é federal, sem autorização da direção. Ele, Silveira e assessores teriam se apresentado como policiais. A Reitoria acusou Amorim de abuso de autoridade.

Na sessão de ontem do Conselho, também houve um incidente. Amorim e o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) discutiram e tiveram de ser separados.

Histórico

Amorim e Knoploch já se envolveram em outras confusões - dentro e fora da Assembleia. Em audiência sobre cotas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em junho, Knoploch deu um soco num estudante que protestava contra sua presença. Um segurança dos parlamentares chegou a levar a mão à arma que carregava consigo na cintura.

Na ocasião, Knoploch alegou que se defendeu. Afirmou também que o guarda-costas apenas evitou que lhe tomassem a pistola.

Já em outubro Amorim dirigiu-se agressivamente ao prefeito de Mesquita, município da Baixada Fluminense, que participava de uma sessão na Alerj. O deputado abordou Jorge Miranda (PSDB) para cobrar explicações sobre uma sindicância que apura se o integrante do PSL foi funcionário fantasma na Prefeitura da cidade.

"Fala agora que eu sou fantasma, palhaço. Fala agora que eu sou fantasma, p(*)! Fala agora se você é homem. Você é um frouxo! Seu m(*)!", disse o parlamentar.

Amorim é acusado de, em 2011 e 2012, ter trabalhado ao mesmo tempo nomeado nas prefeituras de Nova Iguaçu e Teresópolis, distantes mais de cem quilômetros entre si. O parlamentar afirma não ter cometido irregularidades. Miranda, porém, negou ter chamado o parlamentar de fantasma.

Amorim, em nota, afirmou que questionou o prefeito por espalhar "calúnias" contra ele, em "blogs apócrifos". Prometeu processá-lo por "calúnia eleitoral". Knoploch acompanhou o colega na confusão, mas alegou ter apenas afastado um assessor do prefeito. Teria evitado que agredisse o colega.

Cotidiano