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Galo da Madrugada traz para São Paulo a versão 'pocket' do bloco pernambucano

Gilberto Amendola

São Paulo

25/02/2020 10h27

A família pernambucana chegou na região do Ibirapuera antes do galo cantar. Com 14 anos de São Paulo, os Teixeiras estavam ansiosos para matar a saudade da terra natal. "O curioso é que a gente não ia para o Galo. Normalmente, a gente aproveitava a data para ir para Olinda - que é menos cheio", disse o especialista em logística Oscar Teixeira.

Pela primeira vez em São Paulo, o Galo da Madrugada chegou em versão pocket para o carnaval de São Paulo. Ao invés do galo de quase 30 metros do cortejo original, o galo paulista saiu com 4,5 metros (outros três galos com 3, 5 metros foram espelhados pela Avenida Pedro Álvares Cabral). Cabeças de galo, bonecos gigantes e passistas de frevo também são parte do desfile paulista.

Se nas ruas do Recife, o bloco costuma sair com mais de 2 milhões de foliões, em São Paulo a estimativa gira em torno de 100 mil ou 200 mil pessoas. O Galo Da Madrugada nasceu em 1977.

Ainda na família Teixeira, a bióloga Luciana, 45 anos, conta que o pai era quem costumava não perder um desfile do Galo. "Espero que São Paulo se apaixone por ele também", disse.

Luciana e Oscar também trouxeram as filhas Luisa, 11, e Lara, 14, para conhecer o tradicional cortejo.

Para o grupo de pernambucanos formado pelas professoras de educação física Lilian e Vânia Ferrer, e o amigo Snaldo Lino, o Galo em São Paulo será um sucesso. "Não tem erro. Quando a música começa ninguém fica indiferente", disse Lilian.

O mais curioso é o caso de Snaldo. Embora more em São Paulo há 20 anos, ele viaja todo ano para o Recife para participar do Galo da Madrugada. "Olha a sina. Bem no ano em que não pude ir pra o Galo, o Galo veio até mim", brincou.

Especialista em Galo, Snaldo sentenciou que, embora pequeno, o galo de São Paulo "está bonito" (a avaliação se o galo é bonito ou feio é sempre a polêmica do carnaval de Pernambuco).

Marise Cavalcante, 56 anos, é outra recifense que rezou muito para o galo vir para São Paulo. "Há 22 anos eu frequento o Galo da Madrugada. Achei que ia perder. Mas o galo é minha vida. Eu ajoelhei, orei e chorei pelo galo em São Paulo", disse.

O desfile do Galo da Madrugada em São Paulo tem dois trios elétricos, o primeiro comandado por Gustavo Travassos, vocalista oficial do Galo da Madrugada - e com a participação Fafá de Belém. Já o segundo vem com André Rio, cantor que participa do bloco há mais de 25 de anos ininterruptos.

A ansiedade por acompanhar o galo fez muita gente acordar cedo. As amigas Cynara Mattos, 59; e Alice Christiani, 60, saíram de casa às 5 horas da manhã. "Só conhecia pela Televisão. Vale muito a pena acompanhar essa manifestação cultural", afirmou.

Cotidiano