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Pandemia muda a cara da capital da Espanha

29/03/2020 10h02

Madri - A crise mudou a capital da Espanha. O Ifema, gigantesco espaço para feiras no nordeste de Madri, está ocupado pelo Exército, que montou um hospital de campanha com 5,5 mil leitos. Por decisão do governo, vários hotéis - vazios em razão da crise - abriram as portas para receber doentes e amenizar a falta de vagas em hospitais. A Associação Empresarial Hoteleira ofereceu 9 mil camas, incluindo em estabelecimentos de alto padrão, como o Marriot.

Outro impacto visível da pandemia na capital espanhola é econômico. Na semana passada, o Idealista, site especializado em encontrar apartamentos, em um único dia, ganhou 250 novas unidades de proprietários madrilenhos que fugiram do aluguel por temporada, mercado que entrou em colapso na cidade.

A falta de turistas e o confinamento compulsório dos espanhóis são responsáveis por acontecimentos sem precedentes todos os dias. No dia 17, pela primeira vez, o emblemático trem-bala que liga Madri a Barcelona fez uma viagem com todos os assentos vazios. O Congresso da Espanha também está às moscas, com sessões que contam com a presença de apenas 15 deputados, de um total de 350.

A crise, que já causou uma contração de 1% do PIB, segundo estimativas do governo, também vem criando novos laços de solidariedade. Espontaneamente, surgiu na Espanha um movimento que leva cartas de apoio a médicos e pacientes que não podem ver seus parentes em razão do isolamento. Em poucos dias, foram enviadas 35 mil cartas.

Também se tornou comum em Madri - assim como na Itália - a socialização nas varandas dos apartamentos. Em breves caminhadas pelas ruas desertas da capital é possível escutar música, concertos improvisados e até bingo entre os vizinhos.

Os médicos acreditam que o pico da pandemia na Espanha será atingido pouco antes da Páscoa. Enquanto isso, os 6 milhões de habitantes da capital aguardam ansiosamente a volta às ruas e aos terraços para aproveitar o sol da primavera.

Muitos madrilenhos encaram a pandemia como um novo cerco. O último havia sido em 1939, quando a cidade foi tomada pelas tropas de Francisco Franco, que derrubou a Segunda República e inaugurou uma longa ditadura. Oito décadas depois, a capital volta a ser sitiada, em clima de guerra, mas contra um inimigo invisível que pode estar em qualquer lugar, a qualquer momento.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Daniel Galvalizi, especial para a AE

Cotidiano