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Fábricas reparam respiradores e fazem máscaras

Cleide Silva

São Paulo

03/04/2020 07h19

Preparada para equipamentos normalmente pesados, alguns sujos de graxa, usados na produção de automóveis, a ala de manutenção da fábrica da General Motors em São Caetano do Sul, no ABC paulista, passou por severo processo de higienização e desinfecção para consertar respiradores pulmonares que estão danificados ou sem uso há muito tempo. O trabalho começou na segunda-feira e as primeiras unidades já estão sendo devolvidas aos hospitais.

São os primeiros aparelhos que retornam ao mercado em ação envolvendo dez empresas que se prontificaram a realizar o serviço, numa parceria com o Senai. A entidade calcula que há cerca de 4 mil a 5 mil respiradores inoperantes no País, dos quais 3,6 mil já foram localizados e estão sendo entregues ao grupo para manutenção.

Além da GM, participam da força tarefa as automotivas FCA Fiat Chrysler, Ford, Honda, Jaguar Land Rover, Renault, Scania e Toyota. Completam o grupo a ArcelorMittal e a Vale, em parceria com o Senai, que treina o pessoal para a tarefa e dispõe de 25 pontos para coleta e manutenção de aparelhos.

No caso da GM, o serviço será realizado nas quatro fábricas do grupo em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e também no campo de provas em Indaiatuba (SP). "Temos 15 engenheiros e técnicos em cada uma das fábricas, trabalhando voluntariamente nas linhas de montagem que criamos", diz Carlos Sakuramoto, gerente de Tecnologia e Inovação da Engenharia de Manufatura da GM. "Queremos fazer as entregas imediatamente para poder salvar mais vidas rapidamente."

A corrida para ampliar no País a oferta de respiradores, vitais para pacientes contaminados pelo novo coronavírus, levou empresas de variados setores a juntarem forças para minimizar a falta do equipamento, cuja demanda disparou no mundo.

A Mercedes-Benz será a primeira montadora do Brasil a iniciar a produção de respiradores de baixo custo, em parceria com o Instituto Mauá de Tecnologia e apoio de prefeituras do ABC. No Brasil há quatro fabricantes, com capacidade para produzir 2 mil unidades ao mês. Diante da urgência, a Leistung, que produz equipamentos médico-hospitalares (incluindo respiradores), cedeu sua tecnologia para a empresa de motores elétricos Weg. A empresa, cuja fábrica fica em Jaraguá do Sul (SC), está à procura de fornecedores de componentes e já conseguiu o suficiente para produzir as primeiras 500 unidades.

Grupos empresariais também fazem doações para a aquisição dos equipamentos, que custam a partir de R$ 15 mil. O Itaú vai doar R$ 8,5 milhões para a compra de 190 aparelhos. Há outras iniciativas pelo País. A Poli (USP) desenvolveu um respirador mecânico de baixo custo (R$ 1 mil) para necessidades emergenciais.

Proteção

Outra demanda que mobiliza a iniciativa privada é a de protetores faciais, feitos de acrílico. O grupo Leroy Merlin, que atua no varejo de materiais de construção, iniciou nesta semana a produção desses equipamentos para serem doados aos profissionais da saúde que atuam com pessoas contaminadas. O objetivo inicial é fabricar 12 mil peças ao longo dos próximos três meses.

"Se for necessário, poderemos produzir mais", diz Rodrigo Spillere, gerente de Inovação da Leroy Merlin. Ele conta que a sala na unidade da Marginal do Tietê, em São Paulo, foi isolada e passou por processo de higienização. Segundo ele, são utilizadas cinco impressoras 3D, com as quais são produzidas 50 máscaras ao dia. "Se uma técnica que estamos testando for aprovada, com uma cortadora a laser, a capacidade pode subir para 2 mil ao dia", informa Spillere.

Máscaras também estão sendo produzidas pela Mercedes-Benz em impressoras 3D. São cerca de dez peças ao dia, também em parceria com o Instituto Mauá e a Universidade de São Carlos. No Rio, a PSA Peugeot Citroën usa suas impressoras 3D para produzir protetores faciais, em parceria com a Federação das Indústrias (Firjan). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Cotidiano