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Coronavírus: plataforma da FGV Social permite mapear onde vivem idosos no País

Marcio Dolzan

Rio

09/04/2020 10h26

Um amplo banco de dados interativo que permite mapear onde vivem os idosos do País foi lançado nesta quarta-feira, 8, pela FGV Social. Segundo os responsáveis pelo projeto, a plataforma - que possibilita analisar a distribuição de renda e de educação, o acesso à moradia e aos meios de comunicação - poderá auxiliar gestores públicos no combate à pandemia da covid-19, uma vez que a doença é potencialmente mais letal em pessoas com mais de 65 anos.

"Nossa ideia é auxiliar os gestores para políticas mais gerais, mas também queremos dar nossa contribuição para políticas mais do cotidiano. (A covid-19) é um problema comum e diferenciado. Cada um de nós é meio gestor do cotidiano, temos pai, avô, tios. Estamos tendo que gerir situações micro", explicou o economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social e coordenador do estudo.

A plataforma utiliza números de diversos bancos de dados, incluindo do IBGE e da ONU. A partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, os pesquisadores apontaram que, em 2018, o País possuía 10,53% de sua população com mais de 65 anos. Além disso, os idosos representavam 19,3% das pessoas de referências nos domicílios.

As maiores concentrações estão nos Estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minais Gerais e São Paulo. Estados da região Norte, em contrapartida, apresentam as menores taxas de população acima de 65 anos.

Para o economista, esta pode ser uma vantagem no combate à pandemia. "Os idosos estão em áreas com muito médico e são relativamente visíveis aos olhos do Estado, com a aposentadoria, o BPC (Benefício de Prestação Continuada). A covid, por exemplo, aumentou a elegibilidade do BPC e antecipou o 13º da previdência", diz Neri. "O idoso no Brasil tem uma renda maior (em relação à média da população), o que pode fazer com que se lide de uma forma melhor."

O pesquisador, contudo, faz uma ressalva: a baixa escolaridade média dos mais velhos. "Eles estudaram há muito tempo, numa época em que o sistema educacional era ainda pior. Trinta por cento dos idosos são analfabetos. A escolaridade é bem menor, e esse é um aspecto bem importante para políticas de saúde."

Sobre isso, Marcelo Neri alerta sobre as campanhas de combate à covid-19. "Os idosos têm baixa conectividade digital. Não se pode achar que o idoso que está em isolamento vai acessar internet. As campanhas tem de chegar por jornal, TV, rádio. E tem ainda essa questão da escolaridade. Não pode ser uma coisa muito técnica", ressalta.

O acesso à pesquisa e à plataforma de dados pode ser feito por meio do link www.fgv.br/fgvsocial/covidage

Cotidiano