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Bolsonaro: EUA estão mandando 2 milhões de comprimidos de cloroquina ao Brasil

Cloroquina é usada em casos graves de covid-19 no Brasil, mas ainda não provou eficácia em estudos - Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Cloroquina é usada em casos graves de covid-19 no Brasil, mas ainda não provou eficácia em estudos Imagem: Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Emilly Behnke

Brasília

27/05/2020 10h21

O presidente Jair Bolsonaro afirmou hoje a apoiadores em frente ao Palácio do Planalto que os Estados Unidos enviarão 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina para o Brasil. A declaração foi feita após a fala de um apoiador que informou ter vindo da Califórnia (EUA) e fazer elogios à gestão atual do governo no Brasil.

"Como está o Trump lá, tá bem?", questionou Bolsonaro ao apoiador. Em seguida, deu a informação sobre a chegada do medicamento ao Brasil. "Ele (Trump) está mandando para nós aqui 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina. Deve chegar hoje", afirmou o presidente.

OMS

Na segunda-feira (25), a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que o uso da hidroxicloroquina está suspenso, no ensaio clínico internacional Solidariedade ("Solidarity"). A decisão foi baseada em um estudo publicado na revista científica The Lancet e será revisada nas próximas semanas após análise mais abrangente.

Atualmente, 3,5 mil pacientes de 17 países estão inscritos na pesquisa. O estudo publicado na revista, na semana passada, concluiu que o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com coronavírus, mesmo quando associadas a outros antibióticos, aumenta o risco de morte e de arritmia cardíaca.

O Ministério da Saúde indicou que vai manter a orientação para uso precoce do remédio nos casos de covid-19.

"Estamos muito tranquilos a despeito de qualquer instituição ou entidade internacional que venha a cancelar os seus estudos com a medicação", disse Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, em entrevista coletiva na última segunda-feira.

Mayra falou que o estudo publicado na Lancet não é "metodologicamente aceitável" como referência para as decisões tomadas pelo Ministério.

"O que nós queremos reafirmar é que estamos seguindo, sobretudo, princípios bioéticos."

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