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1 mês
Bolsonaro adia definir ministro da Educação e candidatos buscam apoio

Jussara Soares e Renata Cafardo

09/07/2020 08h05

Na tentativa de agradar ideológicos, militares e evangélicos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem adiado a sua decisão de indicar o novo ministro da Educação. O cargo está vago há 20 dias, desde que Abraham Weintraub deixou o governo sob pressão. Enquanto isso, candidatos ao posto se movimentam nos bastidores em busca de apoio político e de entidades educacionais.

Auxiliares do Planalto evitam determinar uma data para o anúncio do novo titular do MEC (Ministério da Educação), mas Bolsonaro, diagnosticado com a covid-19, já fez as últimas entrevistas para o cargo e faz as derradeiras análises antes da indicação. Segundo assessores próximos, o presidente reconhece que não há mais chances para errar.

O mais recente cotado é o ex-vice reitor da Universidade Mackenzie, Milton Ribeiro. Pastor presbiteriano em Santos (SP) e doutor em Educação, ele conversou por videoconferência com o presidente na terça-feira (7). Momentos antes da reunião virtual, Bolsonaro afirmou que falaria com "um candidato do estado de São Paulo" e que ele "talvez" fosse o escolhido.

No ano passado, Ribeiro foi indicado por Bolsonaro para a Comissão de Ética da Presidência. A sugestão para que ele seja o escolhido é atribuída ao ministro-chefe da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, cujo apoio tem sido determinante no Planalto.

Apesar de pastor, Ribeiro não agrada a todos os evangélicos. "No segmento evangélico, o Mackenzie é a pior referência conservadora que eu conheço. De todo o ensino confessional, é o menos conservador", disse o deputado federal Sóstenes Cavalcante, que prefere o reitor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Anderson Correia. Ex-presidente da Capes, órgão ligado ao MEC, Correia é membro da Igreja Batista e teria o apoio de parte dos militares.

O pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, admite a torcida por Correia, mas avisa: "Meu candidato é aquele que seja competente e alinhado ideologicamente com o presidente".

Tido como "reserva" para o cargo, o líder do governo na Câmara, deputado major Vitor Hugo (PSL-SP), vem buscando apoio de parlamentares e entidades educacionais.

A ida de Vitor Hugo para o MEC é de interesse também de parte do Centrão, que quer assumir a liderança do governo na casa. Segue correndo por fora o secretário executivo do MEC, Antonio Vogel.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Colaborou Camila Turtelli)

Cotidiano